Um dos segredos para quem vive do sexo ou da exploração dele é a discrição. Em Franca, esta máxima vem sendo deixada de lado. Na guerra pelos consumidores, as boates e casas de diversão voltadas para o público masculino resolveram investir em publicidade. Espalharam outdoors com mulheres vestidas apenas com lingeries pelas ruas e anunciaram seus negócios na imprensa.
A estratégia de investir pesado em marketing começou há alguns meses, quando o dono de um desses estabelecimentos (ao todo são dez funcionando na cidade) resolveu que era hora de divulgar suas atrações para conquistar mais clientes. Alex Fabiano Capel, 34, dono da Drink’s Shows, que abriu as portas há um ano, na Zona Norte, contratou shows com modelos de outras cidades, algumas delas capas de revistas masculinas de sexo, e produziu outdoors expondo a imagem das modelos. “Além disso, fiz alguns panfletos para distribuir nas ruas. Tudo para atrair os homens”.
Todos os meses ele gasta R$ 4 mil em propaganda. “Senti uma queda no movimento, por isso, resolvi divulgar o trabalho, o que tem dado resultado. A clientela aumentou 40%. Nos fins de semana, temos recebido uma média de cem pessoas por noite”. O Drink’s Shows funciona de segunda a sábado, das 20 às 4 horas. Os dias de maior público são quinta, sexta e sábado. Em dias de shows, a entrada custa R$ 15.
Embora não reconheça a existência de concorrentes, até a conhecida Chácara da Eliete, com 30 anos de mercado, resolveu se mexer. A casa noturna voltou a fazer publicidade e planeja para os próximos meses investir R$ 70 mil para modernizar sua infra-estrutura e oferecer novas atrações aos clientes. “Vou mudar os móveis, o salão, o quiosque e a piscina. Tudo para oferecer maior conforto e aumentar o número de freqüentadores”, disse Eliete Ferreira de Freitas, 55, proprietária.
O estabelecimento, na saída para São José da Bela Vista, funciona de segunda a sábado, das 20 às 4 horas, com shows de strip-tease à moda dos cabarés, em um palco espelhado, e também aluga a área para festas, tipo despedida de solteiro. “Fazemos um trabalho sério que já é tradicional na cidade, mas sempre é bom inovar. Temos clientes de alto nível”.
No local, o principal chamariz e aposta são as próprias meninas, chamadas também de recepcionistas. Elas têm de 19 a 27 anos, perfil de universitárias, esperam os clientes com roupas minúsculas e encarnam personagens de vários estilos enquanto dançam. “Todas são de fora para evitar problemas com conhecidos e ficam, no máximo, duas semanas na casa, pois assim não criam vínculo com o cliente”.
Na chácara, trabalham, em média, 15 garotas, que recebem diariamente um público duas vezes maior. “O movimento varia. Se a cidade vai mal, o ganho diminui. Se vai bem, também temos lucro, porém não podemos ficar parados, queremos mais clientes, por isso resolvi fazer propaganda e deu muito certo”, disse Eliete.
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