Macacos viram amigos de morador do Jd. Ângela Rosa


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DÓCIL - O aposentado Amador da Silva oferece fruta para mico que vive numa mata do Jardim Ângela Rosa
DÓCIL - O aposentado Amador da Silva oferece fruta para mico que vive numa mata do Jardim Ângela Rosa
“Vem cá, Chiquim. Vem comer, vem, vem cá Chiquim. Chico. Chico...”. A frase é dita em voz alta várias vezes pelo auxiliar de topografia aposentado Amador da Silva, 78, numa mata de preservação no Jardim Ângela Rosa. Engana-se quem pensa que Amador está à procura de algum garoto. Chiquim é o nome comum dado a macaquinhos que vivem livres na região e se alimentam nas mãos dele. Como o “banquete” não tem horário fixo para ser servido, o tratador grita para atrair os animais. E funciona. Quem chega no terreno na Rua Salima Musse Pedro e vê o senhor gritar olhando para as árvores, custa a acreditar que sairá algum macaco dali. Até se ouve alguns barulhos entre os galhos, mas costumam ser de pássaros. Os sagüis aparecem de repente. Serelepes, pulam de galho em galho, pegam as frutas das mãos de Amador e saboreiam-nas mais afastados. O primeiro encontro entre o tratador e os bichos também foi repentino. Há cinco anos, um amigo de Amador lhe emprestou um pedaço de terreno para montar uma horta. Certo dia, o aposentado estava cuidando das hortaliças quando ouviu barulhos numa sacola plástica que levara para o terreno. Na hora, imaginou que seria algum bicho da mata. Tinha razão. Ao olhar para trás, se deparou com os macaquinhos. A partir desse dia, começou a relação de amizade que, segundo Amador, é exclusiva. “Comecei a tratar deles. Eles já me conhecem. Os outros chamam, mas eles não aparecem. Só comigo”. Enquanto serve as frutas, Amador gosta de conversar com os animais. E, se preciso, até dá broncas. “Demorou hoje, hein?”, disse para os três macacos que apareceram ontem de manhã depois de vários chamados. O tratador não tem dias e horários marcados para alimentar os micos, mas, pelo menos, três vezes por semana, compra e leva banana para eles. “Tem gente que traz maçã e laranja também”. Gordinhos, os sagüis parecem mesmo ser bem servidos no local. “Essa espécie gosta bastante de insetos. Além de encontrarem comida na mata, podem completar a alimentação com as frutas dadas pelas pessoas”, disse a bióloga Sheila Silva. Sheila acredita que os sagüis já viviam na mata. “São macaquinhos típicos da região de Franca. Ali, encontram abrigo, alimentos e água (existem nascentes no local) e conseguem sobreviver e se reproduzir”. Amador teve sorte de conquistar a confiança dos macacos. Eles costumam ser dóceis enquanto filhotes, mas depois ficam arredios. “Os sagüis não podem ser domesticados. Depois de adultos ficam mais agressivos e podem morder quem tenta pegá-los. Eles se acostumaram com o tratador, por isso se aproximam”.

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