Alessandro deixou São Paulo escoltado por policiais da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e chegou a Franca no começo da noite de ontem. Depois de passar pelo exame de corpo de delito -para se comprovar que não havia sofrido agressões -, foi mandado para uma cadeia da região.
Enquanto aguardava para ser examinado, falou com a reportagem do Comércio. Pediu para não gravar entrevista, mas falou informalmente. Usando uma calça camuflada, camisa branca e exibindo brincos na orelha e um piercing na língua, mostrou-se um paulistano bom de papo. Apesar de jovem, deixou transparecer ser experiente. Não entrava em detalhes sobre a vida particular e a todo o momento conferia se o gravador estava desligado.
Bem-humorado e educado, revelou fazer parte do Programa Estadual de Proteção a Testemunhas há quase dois anos. Disse que recebia ajuda de custo no valor de R$ 1 mil e acompanhamento. Mantinha contato com representantes da Secretaria de Justiça por telefone. “Entramos para o programa, pois presenciamos uma tentativa de homicídio em São Paulo e éramos ameaçados. Não posso dar depoimento sem falar com meu advogado. Outro dia, falo com vocês”.
Alessandro também preferiu não comentar a tentativa de homicídio sofrida em Franca há três meses. Sobre as acusações de envolvimento com o tráfico de drogas, limitou-se a responder: “Vou provar minha inocência”. Afirmou não ser parente da família Rizzati radicada em Franca.
Ele ainda não sabia que deveria ganhar uma familiar companhia na cadeia. Ao tomar conhecimento da prisão de Alessandro, seu irmão, Adriano, que também era procurado, apresentou-se à Polícia Civil em Ribeirão Preto e foi recambiado para Franca por agentes da Dise no período da noite.
Segundo o site da Secretaria de Justiça, o programa de proteção a testemunhas, que a família integrava, tem por meta combater a impunidade, dando proteção às pessoas ameaçadas por colaborarem em inquéritos policiais ou processos criminais. O período de proteção varia de seis meses a dois anos e pode ser prorrogado.
Desde sua criação, em janeiro de 2000, já atendeu a 2.100 pessoas. Para obter ajuda, a testemunha deve seguir normas rígidas, como colaborar com a polícia e com a Justiça antes e durante a apuração e julgamento dos crimes, mudar de residência e manter sigilo absoluto. A testemunha sob proteção recebe auxílio psicológico, social e jurídico; orientação profissional para buscar outro emprego e ajuda de custo mensal do Estado, suficiente para que mantenha um padrão de vida digno. O valor varia de caso para caso.
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