Funcionário da Câmara tem salário 5 vezes maior que o do sapateiro


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Joaquim Ribeiro (PSB), em foto de arqquivo, durante sessão da Câmara: vereador afirma ser contra altos salários, mas diz que eles estão “dentro da Lei”
Joaquim Ribeiro (PSB), em foto de arqquivo, durante sessão da Câmara: vereador afirma ser contra altos salários, mas diz que eles estão “dentro da Lei”
R$ 3,7 mil mensais. Essa é a média que os funcionários do da Câmara de Franca recebem mensalmente. O valor é 5,1 vezes superior ao salário dos sapateiros (R$ 720); 4,4 vezes maior que o do trabalhador francano (R$ 854); o triplo do salário médio do País (R$ 1,1 mil) e o dobro do pago pela Prefeitura (R$ 1,8 mil). O “campeão” é um servidor aposentado que ganha mais de R$ 10 mi. Sozinho, recebe mais de 14 trabalhadores da indústria calçadista juntos. A rotina de um servidor é leve. Entra às 7h30 e sai às 17 horas. Têm uma hora e meia de almoço e, quando são necessárias horas extras, recebem valores que chegam a R$ 50. Além disso, contam com benefícios como estabilidade e vantagens como quinquênios. A cada cinco anos, os servidores mudam de faixa salarial, mesmo que não tenham feito nada que justificasse o reajuste. Ao todo, os 58 servidores da Câmara, entre ativos e inativos, custam R$ 216 mil por mês para o contribuinte. Do montante, oito aposentados e uma pensionista - 15% dos servidores - recebem R$ 50,1 mil, ou 23,1% do total. Os 19 ativos ficam com 32%, que equivalem a R$ 69,2 mil. A maior parte dos recursos, porém, fica nos gabinetes. Os 15 vereadores e 15 assessores respondem por 44,4% da folha de pagamento, um total de R$ 96 mil mensais. Individualmente, porém, eles estão pouco acima da média. O vereador recebe R$ 4,2 mil por mês, pouco mais da metade dos proventos dos quatro diretores da Câmara (R$ 8,9 mil). O vereador Marcelo Valim (PSDB) disse que há muitas “injustiças” em relação aos salários. “Tem gente que só tira xerox e ganha mais do que a gente, que está à frente da coisa e toma paulada de tudo que é jeito”, disse. Já os assessores são um caso à parte. Eles estão abaixo da média geral, mas têm a evolução salarial mais rápida e significativa da Casa. De 2005 para cá, seus vencimentos praticamente dobraram - de R$ 1 mil para R$ 1,9 mil. Curiosamente, quando os vereadores os bancavam (até 2001), o valor oscilava entre R$ 500 e R$ 800. No pé da pirâmide, estão os funcionários recém-contratados. São escriturários, pessoal de manutenção e secretárias com salários entre R$ 700 e R$ 900. A maioria destaca a estabilidade como a maior vantagem de se trabalhar na Câmara. “É meio chato. Às vezes, fazemos serviço de pessoas que ganham mais de R$ 6 mil, mas um dia, chegará nossa vez”, disse, sob condição de anonimato, um desses servidores. O presidente da Câmara, Joaquim Ribeiro (PSB), disse que os altos salários são direito adquirido. “Tudo que eles têm está na legislação. A lei permite que eles tenham salários dessa natureza”, disse. “Sou contra. Toda a sociedade gostaria de ver direitos iguais para todos”.

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