A comédia da reclamação


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Brasileiro sempre teve a mania de reclamar dos seus governantes. Reclamavam dos administradores das sesmarias e das capitanias hereditárias; dos governadores gerais e dos imperadores. Reclamavam dos presidentes da velha república e da república velha, dos militares, do Sarney, do Collor, do Itamar, do FHC, e por fim do Lula. Não reclamaram de Tancredo Neves porque faleceu antes da posse. Logo teremos um novo presidente, novos senadores, novos deputados federais e estaduais, governadores, prefeitos e vereadores, ou os mesmos, mas ainda o povo irá continuar a reclamar, sabe porquê? Porque os problemas não estão neles, o problema está em mim e você, em nós. O problema está no brasileiro. Afinal o que se poderia esperar de um povo que desde os escalões executivo, legislativo e judiciário, faz valer o que está errado ao invés de brigar pelo que é certo? Um povo que valoriza o esperto e não o sábio. Um povo que aplaude o Big Brother, chora por um final de novela, mas não sabe o nome de um escritor brasileiro. Um povo que admira um pobre que fica rico da noite para o dia. Um povo que dá gargalhadas quando consegue puxar a TV a cabo do vizinho. Um povo que se conforma muito rapidamente com trapaças e desonestidades. Um povo que só pensa em benefício próprio. Um povo que gosta de ganhar, mas não de trabalhar. Um povo que gosta de saber, mas não de estudar. Um povo que pergunta, mas não gosta de responder. O que esperar de um povo que não sabe o que significa pontualidade? O que esperar de um povo que não sabe o que é honestidade? O que esperar de um povo que mal sabe ler? O que esperar de um povo que finge estar dormindo quando um idoso entra no ônibus, para não dar lugar? O que esperar de um povo que prioriza carros e não pedestres, prioriza o ter e não o ser? O que esperar de um povo que mata as pessoas por quase nada, e ainda se sente no direito de estar correto? Que joga lixo na rua e reclama da sujeira da rua? O que dizer de um povo que reclama do governo para receber livros didáticos gratuitos para o filho e não vê que o filho deixa todos os dias este livro em casa e vai perturbar na escola quem realmente quer aprender algo. O que dizer de um povo que tem magistrados que se valem do jargão “sabe com quem está falando?” para desrespeitar ou burlar normas e até mesmo leis? O problema do Brasil não é o político e sim, o brasileiro. Os políticos não se elegem, são eleitos por nós. Político não presta concurso, não precisa ter escolaridade e sim relacionamentos. Este ganha votos, o seu e o meu. Somos, infelizmente, o povo do errado e não do certo!!! CARLOS CÉSAR DE OLIVEIRA é leitor do Comércio da Franca

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