Marido confessa que matou e escondeu mulher


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DEPOIMENTO - O motorista Ulisses Pereira Geraldo conta na DIG (Delegacia de Investigações Gerais) como matou a mulher e por que cometeu o crime
DEPOIMENTO - O motorista Ulisses Pereira Geraldo conta na DIG (Delegacia de Investigações Gerais) como matou a mulher e por que cometeu o crime
“Vai Juninho, vai Juninho, não pára, Juninho”. A frase, pronunciada em um momento íntimo, nada teria demais, exceto por um problema: o nome do marido é Ulisses. O ato falho, que teria ocorrido durante uma relação sexual embaixo do chuveiro, custou a vida da sapateira Luciene de Jesus, 28, morta na última terça-feira pelo marido, o motorista Ulisses Pereira Geraldo, 22. A identidade e o destino de Juninho são desconhecidos. A versão foi dada ontem por Ulisses, réu confesso. Ele se apresentou à polícia e disse que matou a mulher e colocou o corpo dela embaixo da cama. O motivo: ciúme. O pivô do crime seria um homem de apelido Juninho, citado por Luciene no momento da transa. Enfurecido, ele enforcou a companheira com as mãos até a morte. O fato ocorreu em uma casa de três cômodos no Jardim São Luiz II. De acordo com o motorista, ele chegou em casa por volta das 23 horas e começou a discutir com a companheira. Naquela mesma noite, sempre segundo sua versão, ficou sabendo que sua mulher era infiel. Entre o casal houve uma briga, mas logo tudo se acalmou e eles começaram a dialogar sobre o relacionamento, que, nos últimos meses, estava conturbado. Acabaram fazendo as pazes emsob o do chuveiro, em uma relação sexual. Quando tudo parecia estar bem, uma nova briga aconteceu. Segundo o acusado, durante o sexo, Luciene teria falado o nome de um suposto amante. “O rapaz disse que ficou tomado pelo ódio e matou a mulher enforcando-a. Ao perceber que ela estava morta, colocou o corpo embaixo da cama, com medo que a filha de 2 anos, ao acordar, visse a mãe”, disse o delegado Márcio Murari. Após matar Luciene, o acusado chamou um mototaxista e foi até o pontilhão do Parque Vicente Leporace. Segundo Ulisses, ele ficou desesperado e caminhou pela rodovia até Cristais Paulista, onde entrou em uma casa em construção e aguardou o dia amanhecer. “Ele disse que não tinha intenção de matar a companheira. Ficou em Cristais até amanhecer e, hoje, resolveu se entregar”, disse Murari. Acompanhado pelo pai e por um advogado, Pereira chegou à sede da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) por volta das 10h30. De cabeça baixa, apresentou-se e disse que era o assassino da mulher. Enquanto era ouvido, familiares da vítima ficaram na porta da delegacia. A irmã de Luciene, Marina de Jesus, afirmou que a versão do acusado não tem fundamento. “Eu não acredito nesta história. Ela vivia falando que queria separar dele. É fácil falar que ela estava o traindo, minha irmã está morta e não tem como se defender. Nunca ouvimos falar em Juninho”, disse. O depoimento do acusado durou cerca de quatro horas. Depois de assinar a confissão, ele saiu pela porta da frente ao lado do pai. O delegado Márcio Murari afirmou que não vai pedir a prisão preventiva do rapaz. “Pelo decurso de tempo, não cabe mais a prisão em flagrante. Além do que, a legislação brasileira dá àquele que se apresenta espontaneamente ao benefício de responder o processo em liberdade, desde que não atrapalhe o andamento do inquérito”, disse o delegado.

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