Apavorados com os casos de ataques ocorridos nos últimos meses em Franca e região, donos de cães da raça pitbull têm buscado uma forma de se livrar dos animais. Quando não soltam nas ruas - fato que tem se tornado comum -, acionam a carrocinha e entregam o cão para ser sacrificado. Nos últimos cinco dias, dez pitbulls foram recolhidos e levados ao Canil Municipal.
Clésio Lima, que há quatro anos trabalha na captura de cães pelas ruas da cidade, garante: nunca recolheu tantos pitbulls como nos últimos meses. Segundo ele, a média de cães da raça capturados era de cinco por mês. “Nos últimos dois meses, tenho recolhido um a cada dois dias”, disse. Ou seja, um aumento que chega a 200%.
A Vigilância Sanitária não tem uma estimativa que possa comparar as apreensões dos últimos dias com meses anteriores aos ataques, mas garante que o número de cães apreendidos cresceu. “É comum após as agressões de cães de raça, as pessoas, temerosas, quererem se livrar dos animais”, disse Fernando Baldochi, chefe da Vigilância Sanitária.
A maioria dos cães são pegos nas ruas, mas muitos donos também têm acionado a carrocinha e os entregado ao canil. Só ontem, Clésio foi a duas casas diferentes buscar os cachorros. “Geralmente só recolhemos os cães nas ruas, mas no caso de eles representarem perigo, não temos alternativa e buscamos na casa”, afirma Clésio.
Depois de um ano criando um pitbull, a dona de casa Ana Silva decidiu se livrar do cachorro. “Tenho ouvido tanta coisa que dá medo. Meu cachorro até era dócil, mas nunca se sabe. Pela segurança das minhas crianças e dos meus vizinhos, que têm muito medo do cão se soltar, é melhor não arriscar”, disse ao Comércio.
O medo de Ana tem justificativa. Só neste ano, 12 pessoas foram gravemente feridas após ataques de cães em Franca e região. Nove dos casos foram por ataques de pitbulls. As ocorrências mais recentes foram registradas em agosto. No dia 31, um garoto de 8 anos, de Orlândia, foi ferido por dois cães quando recolhida garrafas pet em um depósito de sucatas. Ele sofreu ferimentos graves na cabeça, rosto e nos braços e teve de passar por cirurgia. No dia 8, duas pessoas também foram parar no pronto-socorro após terem sido atacadas em uma casa no Jardim Aeroporto ll. Um dos feridos era o pai da dona do cão.
Fernando Baldochi disse que os cães recolhidos pela carrocinha ficam apenas 5 dias no Canil Municipal. Após esse prazo, são sacrificados. No caso de cães que atacaram pessoas ou outros cães, o prazo de internação é de 10 dias. “Esse é um prazo que temos para observar o animal para o controle da raiva”.
No período em que está no canil, qualquer animal pode ser adotado, inclusive o pitbull. “Não há distinção da raça. Se a pessoa quiser adotar, ela assina um termo de responsabilidade e leva o animal para casa. Mas posso garantir que nunca buscaram um pitbull”, disse Fernando.
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