Jogos, sessões de TV, competições esportivas, aulas de pintura, teatro, dança, música e oficinas profissionalizantes, entre elas a de configuração e manutenção de computadores. Pode até soar estranho, mas a grade pedagógica da Fundação Casa (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente, ex-Febem) de Franca oferecerá todas essas atividades. A unidade será inaugurada amanhã, ao meio-dia.
O objetivo da instituição é a recuperação de adolescentes infratores primários de médio e grave graus de periculosidade (acusados de crimes como assaltos, envolvimento com drogas, roubo, estupro e homicídio). Eles têm de 14 a 17 anos e são moradores em Franca e microrregião.
O projeto, que já deu certo em países como a Colômbia e está em funcionamento há um ano em duas unidades de Sorocaba, é chamado de “modelo pedagógico contextualizado” e será realizado em parceria com a Pastoral do Menor de Franca. Até o nome da unidade, “Dom Hélder Câmara”, será em homenagem a um cardeal da igreja.
O local, com aspecto de escola, demorou dez meses para ficar pronto e abrigará 56 internos. Eles chegarão aos poucos, sendo que o primeiro grupo, de 16 internos, deve vir na próxima semana. No total, os jovens infratores passarão por três fases de recuperação. Conforme a evolução de comportamento do adolescente, ele vai avançando em cada etapa e obtendo benefícios.
O adolescente saberá do progresso, pois em cada fase os quartos são de uma cor (veja detalhes no quadro). Todo o programa dura, no mínimo, oito meses. Em seguida, o interno será levado para um programa de semiliberdade, uma espécie de república onde ele vai dormir e praticar atividades depois de ter tido contato durante o dia com a comunidade, seja no trabalho ou na escola.
Diretora da unidade, Rosângela Cristina Fernandes Caetano disse que, independentemente do ato infracional, o adolescente e a família serão trabalhados de forma integral, com o objetivo de facilitar o processo de reeducação. “As atividades serão desenvolvidas de acordo com a aptidão de cada adolescente em um plano individualizado de atendimento. Queremos prepará-lo para que ele volte ao convívio social”.
Com um custo médio mensal de R$ 2,3 mil por adolescente, a unidade terá um cronograma que os internos terão de seguir. Entre as novidades, horários para freqüentar a escola dentro da unidade, pausa para almoço e jantar, participação em grupos terapêuticos, prática de esporte e oficinas pedagógicas. “Estamos firmando parcerias com universidades, escolas e projetos da cidade para que eles possam realizar alguns cursos dentro da unidade. Só iremos ver, primeiro, qual o perfil dos adolescentes que virão para a unidade”, disse Rosângela. Entre as opções, cogita-se que os atletas do Franca Basquete possam treinar com os adolescentes. Para isso, inclusive, a quadra poliesportiva da unidade foi feita com medidas oficiais.
Na unidade, o dia começará às 5h45 e seguirá até as 22 horas. Antes do início das atividades matinais, os internos farão um momento de reflexão e meditação e, no final da tarde, um encontro para avaliação do dia.
Para cuidar dessa turma, 46 pessoas foram contratadas pela Pastoral do Menor, treinadas e capacitadas por um mês pela Fundação. São profissionais como assistente social, psicólogo, pedagogo, clínico geral, dentista, enfermeira padrão e agentes educacionais. “Teremos ainda um orientador vocacional, que ajudará os adolescentes na escolha de uma profissão”, disse Douglas Fernandes Rosa, gerente-geral da unidade. Do lado interno, uma equipe de seguranças vigiará a unidade de pontos estratégicos. “Não há perigo de rebeliões, pois o adolescente se sente bem tratado. Esse é o segredo da Fundação Casa”, revelou Rosângela Caetano, diretora da unidade em Franca.
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