A cada cinco dias, uma criança morre na região. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e revelam que 76 crianças morreram no ano passado antes dos 14 anos. A maioria delas, aproximadamente 68%, morreu antes de completar 1 ano de vida. Na região, o maior número de mortes foi registrado com idades entre 1 e 4 anos. Dos 76 menores, 89,5% eram de Franca.
As doenças são as principais causas de mortes antes de um ano de idade. O pediatra Eduardo Simões comenta que as principais causas são insuficiência respiratória e má-formação cardíaca. “São casos diagnosticados no primeiro mês de vida e que, na maioria das vezes, o bebê precisa passar por uma cirurgia com urgência. Em muitos desses casos, a criança não resiste e morre”, disse Simões. Somente neste ano, três crianças morreram vítimas de meningite. A última morte foi do bebê Lucas Gabriel Lisboa Lima, no dia 6 de setembro, com apenas 13 dias de vida.
Há casos ainda em que a criança morre com diarréias ou pneumonia. “Pode até acontecer, só que são mais difíceis devido à proteção que o bebê recebe do leito materno”, afirmou o pediatra.
A partir de 1 ano de idade, as maiores causas são de acidentes domésticos, de trânsito e violência dentro e fora de casa. São acidentes como o ocorrido com o garoto Paulo Henrique Silvestre Pinheiro, de Restinga, que morreu aos 5 anos depois de levar dois coices de um cavalo que estava solto na rua. O acidente aconteceu em abril do ano passado. “Os pais devem redobrar a atenção até os 5 anos. É a idade das descobertas e as crianças ainda não têm noção do perigo”, completou Simões.
Um levantamento realizado pela Secretaria Estadual de Saúde revela que as quedas são responsáveis por 74,6% das internações de menores de 15 anos de idade. Os atropelamentos ficam com 8,4% e, em seguida, aparecem as queimaduras com 5,8% dos casos. Já as mortes, as principais causas são de afogamentos, seguidas por atropelamentos e acidentes de trânsito, de acordo com a secretaria.
A pesquisa do IBGE é relativa ao ano de 2006 e não há registros dos anos anteriores.
PREVENÇÕES
As Secretarias Municipais de Saúde da região promovem trabalhos para reduzir os índices de mortalidade infantil. Em Jeriquara, as mães recebem atenção desde os primeiros meses de gravidez e os primeiros meses de vida da criança. “Acredito que este trabalho contribui para reduzir a mortalidade infantil no município”, disse a enfermeira-padrão Juliana Sarreta Lucindo.
Na cidade de Rifaina, as grávidas participam de grupos em que são ministradas palestras com profissionais da saúde. “Elas ainda ganham um enxoval ao fim do curso”, disse o enfermeiro-padrão Ricardo Almeida. O mesmo é feito em Itirapuã. Segundo o secretário de Saúde, Daniel de Faria, além de receber orientação sobre os cuidados com o bebê, as mães têm informações sobre nutrição. “São programas preventivos assim que reduzem o índice de morte infantil”.
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