Salvando vidas


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Naiara Alves posa com seu filho Iago ainda na Unidade Neonatal da Santa Casa. Graças ao leite humano, o bebê, que nasceu com 875 gramas, está pesando 2 quilos e já foi para casa
Naiara Alves posa com seu filho Iago ainda na Unidade Neonatal da Santa Casa. Graças ao leite humano, o bebê, que nasceu com 875 gramas, está pesando 2 quilos e já foi para casa
Iago Alves da Silva nasceu no dia 20 de junho de 2007, mês em que a mãe, Naiara Zandoma Alves, 19, completava o sexto mês de gestação. Frágil, o bebê pesou apenas 865 gramas. Ficou internado na Unidade Neonatal da Santa Casa por mais de dois meses. Na semana passada, ele deixou o hospital pesando dois quilos e bastante saudável. O segredo para a recuperação de Iago e de outros bebês prematuros internados nos hospitais de Franca é a solidariedade de mães que têm leite de sobra e fazem a doação ao Banco de Leite Humano (BLH), instalado na Santa Casa de Franca. Até julho deste ano, 393 mulheres fizeram a doação, somando 352 litros de leite e beneficiando 275 bebês prematuros. O número de doadoras poderia ser maior já que, sozinha, a Santa Casa registra 300 partos por mês. “A grande maioria das mulheres amamenta, mas teme fazer a doação com medo do leite secar, o que não tem nada a ver”, disse a enfermeira responsável pelo Banco de Leite, Márcia Batista Cardoso. Lidiane Cristina dos Santos, 19, pensa diferente. Ela doa leite ao banco desde 24 de junho, data em que nasceu Ana Karoliny, sua primeira filha. “É surpreendente. Quanto mais tiro leite, mais tenho”. A mãe não sabia sobre o procedimento. “Me entregaram um folheto ainda no quarto e eu achei muito interessante. Desci até o banco de leite e fiz a doação. Quando recebi alta, não parei de doar”, contou. Uma vez por semana, um carro do Banco de Leite pára na porta da casa de Lidiane recolhe frascos de vidro cheios e deixa outros vazios. Para ela, o gesto é mais que solidário. “Sei que estou ajudando a salvar vidas e, ao mesmo tempo, aliviando o sofrimento de muitas mães que não têm leite e querem ajudar seus bebês a se curarem”. Lidiane tem razão. Cada grama no peso, cada dia vencido são comemorados pelas mães. A vendedora Eva Santana Oliveira, 27, que o diga. Ela torce pela recuperação da filha Evilay, que nasceu no dia 6 de julho quando ela estava no sexto mês de gestação. Seu bebê pesou apenas 870 gramas e teve de ficar no hospital. A principal doadora para Evilay é a própria Eva, mas o leite que tem não é suficiente. “Preciso da ajuda de outras mães sim”. Além de estimular a produção de seu próprio leite, Eva é uma mãe que acompanha, passo a passo, a evolução de saúde da filha. “Chego na maternidade às 8 da manhã e, de lá, só saio no final do dia”. Tanto esforço deu resultado: Evilay está se recuperando bem e já pesa 1,740 quilo. Em breve, deixará o hospital. “Ela estava com o pulmão frágil e precisava respirar por tubos. Agora está bem, graças a Deus. Deixou o aparelho respirador e logo vamos para a casa”, disse a mãe. [FOTO2] A neonatologista (especialista em cuidar de bebês recém-nascidos) Gleise Costa explicou que o leite humano é essencial para a recuperação de um bebê prematuro porque possui anticorpos que agem contra infecções. “O bebê prematuro deixa de receber os anticorpos nos últimos meses de gestação da mãe justamente porque nasceu antes da hora, por isso, insistimos tanto na doação. O leite materno é rico em anticorpos”. Antes de oferecer o produto aos prematuros, o leite passa por um rigoroso controle de qualidade. Primeiro é pasteurizado, para eliminar bactérias e vírus. Depois, é congelado e submetido a um teste de controle microbiológico, para checar a efetividade da pasteurização. Só então é aprovado e liberado para consumo.

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