Herança ambiental


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“Que mundo queremos deixar para os nossos filhos? Um mundo degradado, com rios e lagos assoreados, poluídos e sem peixes, matas destruídas, ar com dióxido de carbono e enxofre, tornando impossível a sobrevivência de bichos e pássaros e até mesmo da espécie humana, ou um mundo onde exista equilíbrio ambiental, povoado por incontáveis espécies, com matas preservadas, ar puro e água de qualidade em abundância ?”. Essa é a reflexão que o fotógrafo Divaldo Moreira quer deixar para os visitantes da exposição Herança Ambiental, que teve início nessa semana no Centro Cultural Cangoma e vai até o dia 29. A entrada é gratuita. Amante da natureza, Moreira reuniu 34 fotografias que retratam desde a criação até a destruição. O material, produzido entre 1992 e 2007, revela um olhar colorido e delicado sobre desde uma simples libélula até para o incêndio na Floresta Estadual de Batatais. O trabalho do fotógrafo visa chamar a atenção para a necessidade de um desenvolvimento sustentável, sem agressão ao meio ambiente e para a preservação daquelas espécies que ainda existem em abundância no ecossistema. “O fotógrafo não muda o mundo, mas seu trabalho pode servir de ponto de partida para uma ampla reflexão. Somos o país mais rico em biodiversidade no planeta, porém, ainda não despertamos para uma consciência ecológica efetiva”, disse Moreira. Para o profissional, que demonstra em sua obra e em seu discurso a preocupação de poucos que já possuem consciência do poder de destruição do homem, a humanidade chegou a uma encruzilhada. “Grande parte das medidas que amenizariam os impactos sobre a natureza passam pela escala governamental. Mas não podemos e não devemos esperar que somente os governos façam a sua parte. Existem medidas que estão ao nosso alcance, como economizar água e energia, separar lixo para ser reciclado ou plantar árvores, por exemplo”. Do olhar cansado e distante de um macaco à delicadeza revitalizante de um filhote de pássaro se alimentando, Moreira consegue transmitir o verdadeiro sentido da preservação ecológica. É impossível não admirar as fotos sem se comover. Por outro lado, a fumaça de incêndios e queimadas de cana e a derrubada de árvores reforçam a mensagem do fotógrafo. “Não se trata de pularmos na frente de um barco para impedir que uma baleia seja morta, ou se amarrar ao tronco de uma árvore na Amazônia para impedir que ela seja cortada. Mas de preservar o que está ao nosso alcance. Muitas pessoas ainda jogam lixo em áreas ao redor de nascentes e córregos que poluem as águas e contaminam o lençol freático. É preciso mudar essa mentalidade. É hora de definirmos o que queremos deixar como herança para os nossos filhos, para as gerações futuras”. O PROFISSIONAL Divaldo Moreira tem 32 anos, nasceu em Igarapava. Contador de formação e fotógrafo por opção, com quase dez anos dedicados à fotografia, ele iniciou sua carreira como assistente de estúdio e atualmente é repórter fotográfico do jornal Comércio da Franca. Em 1999, teve um trabalho premiado no 2º Salão Nacional de Fotografia de Sorocaba. Neste ano, teve duas fotografias selecionadas para a exposição do 3º Prêmio New Holland de Fotojornalismo. Participou do Word Press Photo, o mais importante prêmio do fotojornalismo mundial, e teve uma de suas imagens classificada em 4º lugar em concurso nacional da Kodak.

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