A roda de sucessões


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Pelos dados do IBGE, Franca tem 25389 empresas, informou este jornal recentemente. Dividindo-se a população do município em grupos de 13 habitantes, em cada um deles haveria uma pessoa jurídica, incluindo-se nesse cálculo milhares de crianças. Sabe-se que muitas firmas desativadas não têm o registro cancelado, o que gera miragens, apontou também a reportagem. Porém, substituindo-se as existentes apenas no papel pelos empreendedores que atuam na informalidade, o número divulgado, no saldo final, talvez se aproxime da realidade ou seja até maior. Predominam no conjunto de empresas francanas as de pequeno porte, revelam quaisquer levantamentos. Nada surpreendente. O quadro é este praticamente em todo o território nacional. É ruim para a cidade ter boa parte da sua geração de riquezas lastreada no pequeno empreendimento? Sim e não, depende do ponto de vista. Sim pelas fragilidades inerentes ao pequeno empreendedor, segundo alguns analistas. Invariavelmente, ele tem como âncora a força do trabalho, o conhecimento da atividade (parcial ou amplo) e sucumbe a curto prazo pela carência das demais ferramentas que viabilizam um negócio. Não é ruim, avaliamos, porque há a tal de seleção natural e seus efeitos. Descartando-se uma ou outra, no geral as empresas nascem pequenas, algumas crescem (ou não desabam em pouco tempo) e tornam-se referência para a entrada no mercado de outros empreendedores. As que desaparecem entre as mais antigas são substituídas pelas mais novas que se sobressaem e assim sucessivamente. É uma roda de sucessões. A indústria de calçados, por exemplo, enquadra-se nesse caso. Desde os tempos das oficinas nos 1870, a cada cinco anos, em média, parte dos fabricantes é renovada permanentemente, destacando-se esses e aqueles em determinados períodos. São inúmeros os que tiveram e têm varandas e garagens como ponto de partida. Se nascer média ou grande fosse a condição indispensável para uma empresa desempenhar suas funções econômicas e sociais em uma comunidade, Franca teria meia dúzia delas. O sucesso de um iniciante motiva a vizinhança e a base empresarial se expande, sempre se renovando. Talvez não houvesse tanta rotatividade se a moeda nacional custasse bem menos, se a carga de impostos não fosse tão pesada etc. etc. Neste país só nascem de bom tamanho as falcatruas e os traumas. Supomos que muitos ingressam na livre iniciativa não por índole e sim por outros motivos, que estão atrelados na maioria à insegurança no trabalho ou falta dele. Daí ser o Brasil um dos líderes no empreendedorismo, é um caminho quase que obrigatório para o cidadão, hoje ou amanhã, encontrar algum alívio temporário ou duradouro nas aflições pela sobrevivência. PRODUZINDO COUROS O frigorífico Minerva arrendou um curtume em Fernandópolis (SP) e anuncia ter como meta produzir somente couros semi-acabado e acabado, sem o fornecimento atual do wet-blue (primeiro estágio do beneficiamento). Investirá cerca de 1 milhão de reais na compra de máquinas e equipamentos, em três etapas, até o final do próximo ano, quando terá capacidade de processar 3.600 couros/dia, sendo 80% semi-acabados (crust) e 20% acabados. SEMELHANÇAS A sapataria londrina Shoe Express celebrou no final de agosto os 500 anos do salto alto, atribuindo a Leonardo da Vinci (1452-1519) a autoria desse apoio adorado pelas mulheres: teria sido criado pelo arquiteto, escultor, pintor, inventor e engenheiro renascentista em 1507, segundo aquela empresa. Ele deve ter desenhado algum formato assemelhado ao que se conhece hoje, porque o salto nas alturas surgiu no Egito, mil anos antes de Cristo. Historiadores afirmam que na Grécia antiga servia para ressaltar a importância das personagens; na Roma dos imperadores distinguia as prostitutas das damas. Alguns autores asseguram que a florentina Catarina de Médici, embora fosse de família muito distinta, sentia-se a mais desafortunada das mulheres por ser pequenina. Resolveu o problema, dizem, mandando um artesão fazer-lhe sapatos com saltos altos. Tornaram-se então representação de privilégio social, entrando na moda também os homens. Marilyn Monroe idolatrava o salto estileto, agulha, lançado no início de 1950. Julgava-se mais sensual. Ficamos na dúvida quem reinventou a criação egípcia, se da Vinci ou Catarina, o fato é que o salto alto tem uma história mesclada de profano com distinção, igual a nossa. IGNORADOS Uma grande quantidade de modelos de sapatos entra no mercado, sai e o consumidor nem fica sabendo que existiu. O fabricante deveria investir sistematicamente em publicidade como ferramenta de vendas. É mais fácil, mais barato e, em muitos casos, mais necessário do que os investimentos apenas na extensão de linha. EXAGERO Comprar bens de consumo é um ato que vai além da aquisição de mercadorias. Ir ao shopping ou ao calçadão, por exemplo, tem outra função para a maioria das pessoas. Funciona também como forma de entretenimento, de relacionamentos sociais. Daí ser uma tremenda bobagem a previsão de que em futuro não muito distante as vendas pela Internet, com a introdução de mecanismos mais seguros, acabarão com parte do comércio tradicional.

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