Pedir celular emprestado, levar um CD pirata para o amigo invisível, colocar ponto morto no carro na descida para economizar gasolina, usar a ponta do dedo para a aproveitar o restinho de batom, tirar dezenas de xerox mas não comprar o livro. É... pode até parecer engraçado, mas estes são alguns hábitos que fazem parte da rotina de muitos jovens que dependem da mesada dos pais para se manter ou de um salário longe do que consideram ideal.
Sem ter outra fonte de renda, eles se vêem obrigados a serem criativos para fazer o rico dinheirinho dos pais ou da firma render mais. É o caso da estudante Andréa Salgado, 20. Ela não trabalha, tem despesas todo mês e confessa que está na pindaíba.
A jovem, que saiu da casa dos pais há dois anos para estudar Comércio Exterior na Unifran (Universidade de Franca), mora com mais três amigas em um apartamento e dividem o aluguel. Por mês, ela recebe dos pais R$ 600 para se manter e garante que não são suficientes. “Gasto R$ 400 só com a mensalidade da faculdade, R$ 30 com água e energia, R$ 100 de aluguel, sem contar os xerox que, dependendo do mês, consome R$ 20. Com alimentação, é mais tranqüilo porque a cada 15 dias eu vou para a casa dos meus pais e trago muitas coisas. Mas mesmo assim, tem meses que eu preciso pedir um dinheirinho extra para eles”, revela.
Quando desconfia que suas amigas estão planejando sair no fim de semana, Andréa tenta economizar ao máximo para não ficar em casa. “Peço descontos na livraria, vou a pé às festas, mas não deixo de me divertir. Houve vezes que pedi dinheiro emprestado para ir ao mercado, mas prefiro pechinchar mesmo”.
Também sem muito dinheiro para esbanjar, o jovem Samuel Magno da Silva mora com seus pais e trabalha em uma fábrica de calçados como costureiro há quatro anos. Ele mesmo se sustenta. “Ganho quase R$ 1 mil por mês e minhas despesas com roupa, calçado, mensalidade do carro e cartão de crédito, somam cerca de R$ 700.
Com o restante coloco gasolina e me divirto”, disse. Parece controlado, mas ele admite: “Já passei por situações superengraçadas por conta de dinheiro, ou melhor, da falta dele.
Houve uma vez que levei minha namorada para um passeio em um supermercado e bem na hora que estávamos chegando na porta de entrada, a gasolina do carro acabou. Minha sorte é que tinha um posto de gasolina próximo. Encostei o carro e fui a pé buscar. Foi uma situação complicada”, revela.
Os dias de dificuldades pela falta de verba também fez parte da vida da secretária Andressa Alves Miranda, 23, que, mesmo depois de um ano, se recorda de alguns fatos que aconteceram. “Eu e algumas amigas fomos para Caldas Novas nas férias e gastamos tudo que tínhamos lá. Quando voltamos, ficamos um mês sem receber nosso salário. Foram semanas longas”, disse. Nesta mesma época, Andressa tinha que pagar a documentação da sua moto e algumas continhas de roupas, calçados e convênio médico que estavam atrasadas. “Minha saída era fazer um empréstimo. Peguei R$ 1,5 mil, mas, graças a Deus, paguei tudinho”.
Andressa deixou de lado muitas coisas a que era acostumada. “Comer besteira era uma delas. Eu tinha mania de comprar lanche, salgado e sair todo fim de semana, mas tive que parar por um bom tempo. Houve uma vez que fiquei com vontade de comer salgadinho e juntei algumas moedas com uma amiga e dividimos a comida. Hoje quando lembramos, rimos bastante”.
De acordo com o economista Luis Carlos, que trabalha em um escritório de contabilidade, isso normalmente acontece porque o jovem não sabe administrar muito bem seu dinheiro.
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