A devastação do câmbio


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Na reunião de ontem, do Conselho de Economia (Cosec) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), foram apresentados dois relatos importantes, como retrato do estrago que o câmbio apreciado e o custo Brasil têm produzido na economia brasileira. A Bitz Compressores Ltda fabrica compressores semi-herméticos. É o único fabricante desse tipo de equipamento no Hemisfério Sul. Tem 54 anos de Brasil, 72% do mercado brasileiro. O faturamento por funcionário é de US$ 200 mil/ano. Até 2004/2005 a compra de insumos representava 42% do faturamento; e os insumos importados 29%. O valor agregado por funcionário (aquilo que ela agregava de valor aos insumos, até o resultado final) era de US$ 120.000/ano. O salário médio do funcionário na fábrica, sem considerar gerentes e diretores, era de US$ 1.200,00/mês. Até 1999, período de câmbio apreciado, as exportações representavam 5% do total produzido. De 2000 a 2005 cresceram até chegar a 32% do total. De meados de 2005 até agora, decaíram até atingir 14% do total produzido - e continuarão a cair. É enorme a relação de oportunidades de negócio perdidas. Em 2004 e 2005 a empresa exportava compressores para os EUA. Depois disso, passou a montar CKDs nos EUA, com componentes adquiridos da matriz alemã. Até 2005 exportava compressores para a Alemanha. Agora, exporta apenas componentes. O último passo foi montar uma fábrica de compressores de alumínio na China. * * * Para poder sobreviver, a empresa teve que diminuir o valor agregado por funcionário de de US$ 120.000 para US$ 80.000. Ou seja, passou a adquirir componentes completos. A proporção de insumos importados saltou de 29% para 57% dos insumos totais. E não foi apenas pelo preço mais barato, mas pelo virtual desaparecimento da cadeia de fornecedores. Na área de refrigeração o último fabricante de componentes desapareceu. A empresa manteve alguns mercados, mas atuando meramente como comercializadora dos produtos fabricados pela matriz, recebendo comissão de venda. O custo de insumo no preço de exportação saltou para 85% do preço de venda. Para efeito de comparação, nos supermercados (que trabalham com margem pequena) a relação é de 70%. No mercado interno, o custo dos insumos saltou de 42% para 58%. A empresa passou a agregar componentes eletrônicos nos compressores, para fugir da comparação direta com os importados. Segundo o diretor geral Fernando Bueno, na cadeia de refrigeração e ar condicionado o Brasil passou de exportador a importador. No Sindicato, considerava-se fabricante quem fabricava mais de 70% do valor do produto. Reduziu-se a exigência para 30%, mas há dificuldades para encontrar empresas que se enquadram. * * * E esse produto ainda não é afetado por chineses. Os concorrentes são japoneses, alemães e americanos. Pelas estatísticas, a empresa sobreviveu, até é possível que tenha mantido a rentabilidade. Pelo relato, fica claro que o País perdeu profundamente, os empregos perderam e a cadeia produtiva foi destruída. IBGE A produção industrial cresceu em 8 das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em julho na comparação com junho, na série com ajuste sazonal. São Paulo, que detém o maior peso na estrutura industrial do País, recuou 0,3% após cinco meses consecutivos de alta. O declínio representou a maior contribuição para a queda de 0,4% da indústria brasileira em julho. Segundo a economista Isabella Nunes, da Coordenação de Indústria do IBGE, a indústria paulista foi afetada, sobretudo, pelos desempenhos negativos do setor de farmacêutica e alimentos. A queda da indústria paulista pode ser considerada uma ‘acomodação’ e não significa uma reversão da trajetória de crescimento. Durante os cinco meses de incremento, o Estado acumulou uma alta de 6,4%. Nessa base de comparação, a maior expansão ficou com Bahia (4,6%), seguida por Goiás (4,3%), Pará (2,3%) e Espírito Santo (2,2%). A exemplo de São Paulo, registraram queda Ceará (-5,8%), Pernambuco (-4,2%) e Amazonas (-1,7%). Já na comparação com julho de 2006, a indústria apresentou alta em 11 regiões. São Paulo e Minas Gerais tiveram os melhores desempenhos, com crescimentos de 6,7% e 11,4% respectivamente. BNDES O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai captar recursos no mercado internacional para sustentar o crescimento da demanda por empréstimos para novos investimentos. A projeção é a de que a taxa de investimentos da economia, que em 2006 ficou em 16,8% do PIB (Produto Interno Bruto), atinja 21% do PIB em 2009, fechando 2008 com 19,3% e 2007 com 17,3%. “Estamos numa curva ascendente de investimentos que pode até não se realizar nessa extensão, mas temos condições de mitigar muito os efeitos da crise financeira internacional sobre a expansão da economia brasileira e manter o ciclo de investimentos”, afirmou ontem Luciano Coutinho, presidente do BNDES em evento na sede da Fiesp. A carteira de investimentos do BNDES em julho previa demanda de recursos de R$ 27,9 bilhões para 96 projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), 74% deles dedicados ao setor de energia.

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