Asilos regularizados abrigam mais de 200 idosos em Franca


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Pedro Oliveira, 92, chegou ao lar São Vicente de Paulo há dois anos. Foi por conta própria. Apesar da idade, ele está lúcido, não tem problemas de saúde e quer ficar no asilo
Pedro Oliveira, 92, chegou ao lar São Vicente de Paulo há dois anos. Foi por conta própria. Apesar da idade, ele está lúcido, não tem problemas de saúde e quer ficar no asilo
Rosa (nome fictício), 56, nasceu e morou em Belo Horizonte (MG), onde trabalhou como secretária em uma fábrica de máquinas. Aos 30 anos, começou a ouvir vozes e ver vultos. A família a encaminhou para um tratamento psiquiátrico. Aos 35 anos, Rosa se aposentou e, na companhia de uma irmã, viajou para o exterior. Conheceu a Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e o Chile. Meses depois, de volta ao Brasil, ela foi morar em Campinas. Em 2005, voltou a ouvir vozes e ver vultos. A irmã, então, a convidou para visitar Franca. A visita não era a nenhum familiar, até porque elas não têm parentes na cidade. O destino era outro: um lar de idosos. A irmã voltou para Campinas, Rosa ficou para trás. Rosa não é a única. Em Franca, sete lares regularizados atendem idosos em regime de internato. São 210 pessoas entre 47 e 93 anos, sendo a maioria (114) mulheres. O número de instituições que atendem idosos em regime de internato dobrou nos últimos dez anos. Em 1997, reportagem do Comércio apontava que havia três asilos e 198 internos. As situações que levam cada um ao asilo são diversas: doença, solidão, idade avançada e, o mais triste, o abandono. Rosa é um exemplo do abandono. Apesar de ter conquistado amigos no lar, nunca mais viu seus parentes. Diferente de Rosa, foi a saúde frágil que obrigou Maria de Lourdes Fiori, 82, a morar no asilo. Ela é a mais nova interna da Instituição Espírita Nosso Lar, que atende apenas mulheres. Os filhos a internaram no dia 13 de agosto por conta de uma labirintite. O médico recomendou que ela não ficasse sozinha, mas ela teimava em morar só. “Depois que caí dois tombos em menos de quatro dias, machuquei meu rosto, não teve jeito, aceitei vir para cá”, conta. Lourdes disse que ainda não se acostumou no lar, mas está gostando. “As pessoas são carinhosas e educadas, me tratam bem. Além disso, tenho a liberdade de sair para visitar meu filho”. Antônio Fiori, único filho de Lourdes que mora em Franca, disse que não teve outra alternativa. “Essa situação não é nada fácil. Não gostaria de interná-la. Dá um nó na garganta quando a vejo aqui, mas não posso deixá-la com qualquer pessoa e, em casa, não tenho quem cuide”. Os asilos, diferente de dez anos atrás, quando passavam uma impressão fria e impessoal, hoje possuem ambientes mais alegres. Ainda assim, muitos deles ainda se parecem a hospitais. Além disso, não há privacidade: os quartos são coletivos, no refeitório todos ficam em um grande mesão e, na sala de televisão, há um único aparelho. Essa falta de privacidade é compensada, via de regra, pelo convívio humano. No Lar São Vicente de Paulo, por exemplo, a maioria das tardes é de diversão. Na sexta-feira, 31 de agosto, tinha bolo de aniversário e refrigerante para comemorar mais um ano de vida de dois dos internos. Depois da festa, houve bingo, com direito a distribuição de prêmios. Pedro Oliveira, 92, era o mais sorridente. Ganhou um cinto, mas disse que a reunião entre os amigos era mais valiosa que qualquer presente. Pedro chegou no lar há dois anos. Foi por conta própria. Apesar da idade, ele está lúcido, não tem nenhum problema de saúde e garante que nunca mais volta para casa. Ele sempre morou sozinho, não quis se casar. Há dez anos conheceu o lar e disse para os diretores que gostaria de morar no lugar. “Não me deixaram”, conta ele. Em 2005, Pedro insistiu por uma vaga e conseguiu. “Sou muito feliz aqui, tenho de tudo. Só saio quando eu morrer”. Para quem não tem filhos, morar no asilo parece menos doloroso. Sebastiana Burini, a Nana, tem 87 anos e há cinco mora no São Vicente. A ida de Nana para o lar foi a depressão, que começou depois que a irmã morreu. “Ela morava comigo e fiquei muito triste. Decidi vir para cá e hoje não saberia viver longe daqui. Mas, se eu tivesse filhos e eles me colocassem no asilo, ficaria muito triste”, contou ela.

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