Domingo. 8 horas. Os comerciantes começam a montar a “feira do rolo”. Por cerca de quatro horas, a ponte da Vila São Sebastião se transformará num mercado. A muvuca dura das 9 às 13 horas e oferece imensa variedade. A origem de algumas mercadorias é desconhecida (e, às vezes, duvidosa), mas a lista delas é enorme: há chuveiros, bonecas, ventilador, sapatos, urso de pelúcia, mouses, calculadoras, telefone, escorredor de louças, furadeira, aparelhos de som, celulares, violão, máquina de escrever e, acreditem, cachos de bananas. As mercadorias, novas e usadas, ficam espalhadas no chão, sobre caixas, mesas ou nas mãos dos vendedores. A feira, realizada há décadas, virou espaço para quem quer uma renda extra, vender coisas velhas, encontrar objetos estranhos e antigos ou pessoas interessadas apenas em se divertir.
José Brandieri, 73, participa da “feira do rolo” há três anos. Disse que vende objetos ganhados dos vizinhos, como “talha”, bebedouro, cinzeiro, cesta de vime, controles, etc. Os negócios na Vila São Sebastião são para melhorar a renda. “Precisava de dinheiro para sobreviver. Minha aposentadoria não dá”. Todo domingo, José coloca a “tralha” no seu fusca e segue para a feira. Na maioria das vezes, volta para casa com boa parte das mercadorias e pouco dinheiro no bolso. Consegue cerca de R$ 20 nas três horas que fica na feira. “Não dá muito não, mas o que ganho já ajuda a comprar carne”.
José Rosa, 70, também comercializa objetos para completar renda, mas, como o companheiro, não vende muito. “Dá uns R$ 20, R$ 30 por domingo. Uso para comprar leite para meus netos e mistura”.
Ele vende muitas coisas. Na lona amarela que espalha no chão para expor os produtos, encontram-se mouses, calculadoras, relógios, carteiras, bolsas, sapatos, sabonetes, hidratantes, isqueiros e outros. Para Luiz Oliveira, 65, os negócios rendem mais que para os Josés. Ele leva para a Vila São Sebastião cerca de 30 itens diferentes e ganha de R$ 100 e R$ 300 por domingo.
Faz um ano e meio que participa da feira e desde o princípio, vendeu bem. “Na primeira vez, trouxe dez rádios parados que tinha em casa, vendi seis, de uma vez. Não parei mais. Estou aqui quase toda semana. É difícil eu faltar”.
Luiz compra objetos, revende e, como tem uma loja de conserto de eletrônicos, recebe muitos aparelhos quebrados. “Compro dos clientes, reformo e consigo revender com até 300% de lucro”.
O pedreiro Sílvio Donizete Leal, 37, por sua vez, experimentou negociar coisas velhas na “feira do rolo” no domingo passado.
Levou uma serra de cortar madeira, um relógio cuco que não funciona e uma máquina de costura. Ficou satisfeito. “Parece ser bom. Vendi a serra por R$ 50 em cinco minutos de feira. Parece que o que você trouxer, sai”. Com o dinheiro, Sílvio quer comprar uma lixadeira, que custa R$ 200.
Quem quiser conferir, a “feira do rolo” acontece aos domingos, das 9 às 13 horas, na ponte da Rua Francisco Marques, sobre a Rodovia Cândido Portinari, na Vila São Sebastião.
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