“O governo é um Robin Hood às avessas. Tira dos pobres e dá para os ricos”. Com frases nesse tom, o ex-governador de São Paulo e candidato do PSDB à Presidência da República em 2006, Geraldo Alckmin, discursou, ontem, no Auditório “Jornalista Corrêa Neves”. Por uma hora e meia, falou sobre sua carreira política, seu futuro e disse várias vezes que o Brasil necessita urgentemente de reformas, principalmente a tributária, para poder crescer e se desenvolver.
Alckmin, que falou sobre “Gestão Municipal”, fechou o circuito de palestras realizado como comemoração à semana de inauguração do novo prédio do Comércio da Franca e da rádio Difusora AM. Pela manhã, a superintendente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues, já havia falado a uma interessada platéia.
O ponto de partida da palestra de Alckmin foi sobre sua vida após a derrota para o presidente Lula nas eleições presidenciais. Bem-humorado, contou anedotas e disse que passou seis meses deste ano estudando política na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e retomou sua carreira como médico e professor universitário.
Em seguida, fez elogios à democracia brasileira e críticas à desigual divisão de recursos entre países ricos e pobres. De acordo com ele, a tendência é que os países desenvolvidos e com taxas expressivas de crescimento fiquem cada vez mais poderosos e os “pequeninos” fiquem como estão. “Quem é pobre, consegue melhorar um pouquinho e quem é rico tende a ganhar cada vez mais”, disse.
Depois, o ex-governador apontou para avanços na saúde pública. De acordo com Alckmin, após a Constituição de 1988, com a reforma do INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social), a situação melhorou. “Antes, só tinha atendimento quem pagava a Previdência, os demais, só eram atendidos em casos de urgência”, disse. “Basta ver a drástica redução nos índices de mortalidade infantil”.
Alckmin bateu na tecla das reformas política e tributária. Disse que os altos encargos trabalhistas têm “empurrado” as pessoas para a informalidade, que segundo ele já ocupa 52% do mercado de trabalho. “Só com incentivos a economia será fortalecida. Vejam o caso de São Paulo. Aqui, o álcool custa R$ 0,99. Estive em outros estados, onde o preço é de quase R$ 2. Tudo por conta da redução de impostos que promovemos, de 25% para 12%”, alfinetou.
Em suas considerações finais, deixou mensagens otimistas e deixou claro que pretende voltar ao cenário político em breve, mas dificilmente à disputa presidencial. “Temos dois governadores em evidência, Aécio Neves e José Serra, mas vamos ver o que virá. Estou no circuito”, disse.
TIETAGEM
Muitos políticos de Franca e prefeitos região estiveram presentes no auditório “Jornalista Corrêa Neves” para prestigiar a palestra. Entre eles, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB), os deputados estaduais Roberto Engler (PSDB) e Gilson de Souza (DEM) e o federal Marco Aurélio Ubiali (PSB). Entre os vereadores, os tucanos Rui Engrácia e Marcelo Valim (PSDB), além de Nirley de Souza (PSC) que também acompanharam a palestra. “É uma personalidade importante do cenário político nacional e sempre há coisas boas para passar para a gente”, disse Valim.
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