Uma palmada dói, sim


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O castigo físico em crianças se configura no uso da força como metodologia despótica, com o propósito de corrigir comportamento não desejado. É explicado como palmada, cintada, surra, beliscão, puxões de orelhas cabelos e constrangimento. Usado com moderação não faz mal, diz o Novo Código Civil. Mas não é bem assim. Por exemplo, até a palmada pode ser um mau começo. O Laboratório da Criança e Adolescente da USP (Lacri), recolheu 200 mil assinaturas fortalecendo o Projeto de Lei 2654/2003, cujo texto prevê punição para pais, professores ou responsáveis que baterem em crianças. O referido projeto contempla as recomendações do Comitê de Direitos da Criança e do Adolescente da ONU, órgão que zela pelo cumprimento da Convenção sobre os Direitos da Criança e do Adolescente, relativos a punições. Se a nova Lei pode tirar dos pais a condição de corrigir os filhos ainda que de forma ‘moderada’, pode ser a grande questão. Esta discussão ‘dá pano para mangas’. O método do castigo físico, ainda tem defensores, e até mesmo na literatura (das 36 obras publicadas entre 1981 e 2000, sobre educação, 28% se posicionaram a favor da palmada). Conta a historia que esse ‘método’ foi trazido ao Brasil no século 16 pelos jesuítas, pois os índios não conheciam a palmada e nem tinham a tradição de castigar fisicamente as crianças. Muitas mortes de crianças tiveram inicio com correções moderadas.A violência instalada em muitos lares, onde crianças passam fome, frio. Negligenciadas, costumam ser obrigadas a lavar passar e cozinhar, sob ameaça de surra, tudo com muita moderação. Algumas mantidas em cárcere privado, ameaçadas, servem a seus algozes. Muitas torturadas e espancadas até a morte, por ‘desobedecerem’ mas isto já é outro assunto. Moderado mesmo, tem sido o Estado na proteção ás crianças e adolescentes, e Franca não é diferente. Bairros das áreas periféricas da cidade, onde mora a alta vulnerabilidade social, possuem muitas e muitas crianças a espera de um contra turno escolar ou programas sociais, que lhes garantam direito à vida sem violência como diz o ECA. No entanto o crime e até mesmo a morte tem se revelado mais competentes e ágeis que as políticas públicas. Estudos e pesquisas promovidos pelo Laboratório da Criança e do Adolescente comprovam o registro de 53 mil casos de violência doméstica contra crianças menores de 6 anos, em 2001. Esses castigos físicos não têm ocorrido somente no Brasil ou em Franca. Em 1985 um estudo demonstrou que 63% das mães no Reino Unido, admitem ter batido em seus bebês antes de 1 ano. O ex-Primeiro Ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair confirmou ser adepto desta “moderação pedagógica”. Nos Estados Unidos o índice é maior ainda, 89% já tinham batido em crianças até os três anos de idade. Dos quinze paises que proibiram a agressão contra crianças a Suécia é pioneira. Adotou em 1979 a chamada “Anti-sparking Law” que não permite punição corporal ou tratamento humilhante á criança. No entanto, leis por si só não resolvem, é preciso contar às famílias que pode existir um novo modelo de lidar com problemas, ainda que a mentalidade do brasileiro esteja atrelada ao uso da força para resolver conflitos e correções. Menina levada quer levar uma palmada.... porque não quer nada e é malcriada, é o tema central da poesia ‘ Uma palmada bem dada’ de Cecília Meireles, a mais nova questão do debate nacional. TECA! Telefone Amigo da Criança e do Adolescente (TECA) é um canal de comunicação entre crianças e adolescentes em situação de risco e profissionais, para ouvi-los e ajuda-los em seus problemas e dúvidas. Baseado nas experiências do Child Helpline de Amsterdã, hoje uma rede composta de 85 países entre eles o Brasil, tem por objetivo disponibilizar linhas telefônicas para que crianças e adolescentes se manifestem. O TECA, projeto da Abrapia em parceria com a Telemar, tem ouvido crianças e adolescentes, buscando conhecer suas necessidades, suas alegrias e expectativas, para melhor atende-las, informá-las sobre direitos e deveres. Os movimentos, conselhos, escolas e equipamentos sociais que desenvolvem programas e defendem direitos, não possuem uma forma de comunicação entre eles e os responsáveis. Isto poderia fazer a diferença. BULLYING Bullying é um termo que compreende todas as formas de atitudes agressivas intencionais e repetidas, que ocorrem de estudantes contra outro, causando pânico, executadas dentro de uma relação desigual de poder. Não tem similar na língua portuguesa. Caracteriza-se por ações que visam atingir e amedrontar indefesos, na porta e no recreio das escolas, colocar apelidos, ofender, humilhar, discriminar, excluir, agredir. Causa o trauma que faz com que as maioria das crianças não tenha saudade da escola. Fazem-nas sofrem em silêncio, entrar em depressão, sentir vergonha e medo. Desrespeito aos professores, pichação, danificação do patrimônio são também situações de bullying. (Marie Claire, edição Inglesa). MENSAGEM Depende de nós, quem já foi ou ainda é criança. Que acreditou ou que tem esperança. Quem faz tudo pra um mundo melhor. Depende de nós. Se esse mundo ainda tem jeito. Apesar do que o homem tem feito. Se a vida sobreviverá. Ivan Lins

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