Painel de controle da crise


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Ontem a Agência Dinheiro Vivo promoveu uma mesa redonda com três agências de risco: a Fitch Rating, a Standard & Poor’s e a brasileira Austin Raing para um primeiro balanço da crise internacional, provocada pelo mercado de crédito hipotecário dos EUA. A avaliação é unânime. A primeira onda da crise aparentemente foi contida. Os Bancos Centrais atuaram rapidamente, injetaram liquidez na economia internacional, segurando o efeito-manada. Desde a crise da Coréia, e da crise de 2001 e 2002, as agências de risco passaram a incorporar um elemento novo em suas análises, esse efeito-manada dos mercados. * * * O papel dessas agências é analisar a capacidade de pagamento de empresas, títulos ou países. Até 2002, por exemplo, na análise do endividamento de um país nunca havia sido considerado o crédito para exportações. Em geral esses financiamentos têm garantias maiores, e não havia histórico de inadimplência por parte dos tomadores. De repente, em 2002 o Brasil virou de pernas para o ar. Os chamados fundamentos da economia continuaram os mesmos. Mas, da noite para o dia, os bancos internacionais decidiram que não iriam mais financiar sequer as exportações. Foi um Deus nos acuda, um terremoto que o País conseguiu atravessar graças ao Banco do Brasil, aos bancos privados nacionais, a alguns bancos europeus que se mantiveram firmes e à Bladex - um banco latino-americano, com sede no Panamá, e que tem como sócios países. * * * A crise de 2002 foi decorrência, em grande parte, do aumento da sensação de risco por parte dos grandes bancos, depois que se descobriram problemas na contabilidade de grandes corporações norte-americanas. O trabalho das agências de risco consiste em analisar os balanços e os documentos que lhes chegam às mãos, partindo do pressuposto de que são fidedignos. Para driblar os controles das autoridades americanas, muitas empresas montaram outras empresas em paraísos fiscais, onde descarregavam suas operações mais arriscadas. Depois meramente incorporavam os resultados dessas empresas em seus balanços. Quando se aprofundaram as análises, descobriu-se que muitas delas escondiam operações de extremo risco. Sem parâmetros de informação, o mercado entrou em curto-circuito. * * * De certo modo, a insegurança atual decorre da falta de informações fidedignas sobre a extensão da crise do “subprime” (hipotecas de alto risco nos EUA). Na verdade, em toda essa crise, apenas 5% dos financiamentos habitacionais correm risco de inadimplência. Esse percentual está longe de configurar uma crise sistêmica. Mas como o mercado estava muito aquecido, serviu como espoleta para deflagrar um processo de ajuste de preços para baixo. * * * Para se ter uma idéia da extensão da crise se terá que aguardar as próximas semanas, a divulgação dos balanços das instituições financeiras internacionais. Os balanços poderão revelar quem sofreu ferimentos profundos, leves ou saiu ileso. O segundo ponto é identificar os desdobramentos da crise de crédito na atividade econômica mundial. Ponto relevante é acompanhar a situação da China - já que, com o desaquecimento dos EUA, é o país que garantirá o ritmo de crescimento mundial. BIOMASSA O governo de São Paulo firmou ontem convênio com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado) para lançar um programa de cogeração de energia elétrica a partir de biomassa (palha e bagaço) de cana-de-açúcar e biogás (queima de gás metano). O documento foi assinado pelo governador José Serra na sede da entidade em cerimônia na qual ele citou que a alternativa é das mais rápidas e viáveis para “alívio da futura crise energética” de 2011-2012, “desde que as usinas possam contar com linhas de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para renovação de maquinário e que o governo federal delegue aos Estados condições para examinar os problemas de conexão na rede de energia”. A troca de equipamentos das usinas é necessária, segundo José Serra, para baixar o custo da produção de bioenergia. “Dá para gerar 6 ou 7 gigawatts de energia elétrica - mais que o dobro do que o caso das usinas do Rio Madeira -, isso em dois, três anos”. O governador acrescentou ainda que o crescimento da demanda é de 2,5 milhões de MW (megawatts) adicionais a cada ano. Sobre a necessidade de linhas de crédito para as usinas, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse haver no mercado recursos disponíveis suficientes. O que falta, segundo ele, é tornar o investimento viável e seguro. Skaf afirmou que a Fiesp já está articulando um grupo de investidores interessados no setor bioenergético. SUZANO A presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Maria Helena Santana, disse ontem que o órgão decidirá até o fim da semana se entrará com ação civil pública contra investidores suspeitos de usar informação privilegiada para comprar ações da Suzano Petroquímica às vésperas da venda da empresa para a Petrobras. Durante audiência pública na comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, Santana disse que há indícios de irregularidades nessas operações e que dois investidores estão com recursos bloqueados pela Justiça a pedido da CVM. Esses investidores não compraram ações da Suzano durante todo o ano de 2007, mas pouco antes da divulgação da venda da empresa, adquiriram papéis lucrando cerca de R$ 300 mil e R$ 700 mil respectivamente. “Caso tenhamos provas suficientemente robustas, pode resultar em punição, multa de até três vezes o valor do ganho e inabilitação da participação no mercado”, disse a presidente da CVM.

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