Um esconderijo perfeito para quem pensava em realizar o crime perfeito. Uma quadrilha especializada em furtos e roubos de carros usou o fundo da represa de Rifaina para esconder pedaços de sucatas e os chassis dos veículos produtos de crime. O objetivo do bando era dificultar as investigações caso fossem descobertos, mas todo o plano foi para o fundo do rio, assim como os carros que furtaram. Ontem, a Polícia Civil localizou o “cemitério de sucatas” a uma profundidade de 30 metros no Rio Grande.
O líder da quadrilha seria Elvio Furlan, o “Graia”, preso há mais de dois anos por furto de veículos. Segundo a polícia, Furlan usava o rancho de sua propriedade às margens da represa para desovar os carros roubados pelo seu bando. Após vender as peças para desmanches em Uberlândia (MG), a quadrilha de “Graia” picava os carros e jogava os chassis no fundo do rio. Toda a ação foi descoberta depois que o bandido foi preso.
A polícia já sabia da existência do “cemitério de carros” furtados, mas não tinha sua localização exata. Na semana passada, um grupo de mergulhadores da equipe Trilha Verde encontrou por acaso a parte traseira de uma caminhonete com a placa. “Estava treinando um grupo em mergulho de grande profundidade. Quando chegamos a 32 metros, ficamos surpresos com a quantidade de carros no local. Levamos a placa de um dos carros à delegacia e descobrimos que tudo que esta lá no fundo é produto de furto”, disse Júnior Franco, coordenador dos mergulhadores. O cemitério de carros fica a uma distância de 50 metros do antigo rancho de Graia.
Na época da prisão do líder da quadrilha, apenas uma caminhonete foi recuperada. “Realizamos algumas buscas nas proximidades do rancho, mas não encontramos muita coisa. Tínhamos certeza que ele jogava os carros no rio, mas não sabíamos onde”, disse o delegado Eduardo Lopes Bomfim.
Ontem, a equipe de mergulhadores do GOE (Grupo de Operações Especiais), composta de três pessoas, acompanhada de quatro mergulhadores da Trilha Verde, foi até o local apontado e encontrou dezenas de pedaços de carros roubados submersos a uma profundidade de 30 metros. Caminhonetes, Gols e outros carros que a polícia ainda não identificou foram localizados.
Alguns veículos estavam com a numeração do chassi intactas, o que facilitará na localização das vítimas dos furtos. “Ficamos surpresos com a quantidade de chassis no fundo do rio. Parece haver no local de 20 a 30 veículos. O lugar é muito fundo e não dá para retirarmos todos em uma única operação. Fotografamos e anotamos a maioria dos chassis e vamos identificar as vítimas”, disse o delegado Wanir José da Silveira, que comandou as buscas. O fotógrafo Silva Júnior do Comércio mergulhou junto com profissionais.
Várias peças foram retiradas do fundo do rio com auxílio de bóias e levadas para a delegacia, onde serão periciadas. Outros mergulhos deverão acontecer nos próximos dias para identificação de mais carros.
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