Com dez votos favoráveis e quatro contrários, os vereadores extinguiram, na sessão de ontem da Câmara, a CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta para investigar suspeitas de fraude em licitações para obras no Córrego dos Bagres. A justificativa para o encerramento, solicitado por Jepy Pereira (PSDB), foi o fim do prazo legal para a conclusão das apurações, que era de 90 dias. Já o presidente da CEI, Silas Cuba (PT), revoltou-se com a decisão e afirmou ter havido uma manobra política, a partir do prefeito Sidnei Rocha (PSDB), para evitar que as investigações continuassem.
Cuba disse que, agora, partirá com artilharia pesada para cima dos adversários. Afirmou que entregará todo o resultado obtido pela CEI ao Ministério Público e solicitará providências legais sobre o que chamou de “descobertas gravíssimas” sobre a administração de Rocha. “Tem muita coisa grave que levantamos em obras públicas, principalmente em relação aos processos licitatórios”, disse.
As discussões sobre a extinção da CEI foram intensas e em baixo nível. Cuba e Jepy discutiram por mais de duas horas e, depois, partiram para as ofensas pessoais, chamando-se, mutuamente, de “incompetente”. No final, somente Cuba, os outros dois integrantes da CEI, Graciela Ambrósio (PDT) e Valter Gomes (PSB), além de Gilson Pelizaro (PT), votaram pela continuidade da comissão.
Com a rejeição, quem evitou desgaste público foi Sidnei Rocha. Ele havia sido convidado, na semana passada, para depor, o que aconteceria na manhã de hoje.
O CASO
A comissão de inquérito da Câmara, formada no vácuo das investigações do Ministério Público, da Polícia Civil e da própria Prefeitura para apurar o “Escândalo do Bagres”, foi constituída em 15 de maio último, com prazo de 90 dias para encerramento. Várias pessoas foram ouvidas e algumas revelações novas foram obtidas.
As principais foram a confirmação dos laços de parentesco e amizade entre empreiteiros e funcionários da Secretaria de Planejamento Urbano e a descoberta de que Sidnei Rocha pediu dinheiro ao Governo Federal para executar obras no Córrego dos Bagres com o mesmo projeto que classificou como suspeito.
No último dia 7, Silas Cuba pediu a prorrogação da CEI por mais 45 dias, mas Maurício Chináglia (PSB) pediu adiamento do pedido por uma sessão. O problema é que no dia 14, data da sessão seguinte, o prazo já estava expirado (havia vencido um dia antes). Para Cuba, a solicitação foi “armada”. “Está claro que houve uma manobra para que nosso trabalho fosse encerrado. É sinal que estávamos incomodando alguém”, disse.
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