Afogados no álcool


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CONTRA A LEI - Criança de 13 anos consome cerveja na tarde da última quarta-feira: Em quatro bares pesquisados, três venderam bebida alcoólica para menores
CONTRA A LEI - Criança de 13 anos consome cerveja na tarde da última quarta-feira: Em quatro bares pesquisados, três venderam bebida alcoólica para menores
O jovem brasileiro experimenta álcool cada vez mais cedo, bebe, cada vez mais, em grandes quantidades. É o que mostra um levantamento realizado recentemente pela Senad (Secretaria Nacional Anti-Drogas). O estudo aponta que, entre os 1455 adolescentes ouvidos com faixa etária entre 14 a 17 anos, 16% deles já beberam algum dia em excesso (mais de cinco doses). Embora em Franca não haja um estudo sobre o assunto, a realidade parece não ser diferente. A reportagem do Comércio visitou, em três fins de semana diferentes, um posto de gasolina na rotatória da Auto Franca e constatou: de cada dez pessoas que consumiam álcool no local, seis eram menores. Entre os frequentadores está uma estudante de 16 anos que chamaremos de Priscilla. Segundo ela, o local é favorável para conhecer novas pessoas e é o point dos jovens. Ela ainda revelou que comparece ao local todos os sábados e domingos e consome bebida alcóolica -não em excesso -junto com sua turma, composta de aproximadamente 20 amigos. “A gente dança, toma uma cerveja, paquera. É bem legal”, afirma. Ela não é a única. Marcelo * tem 19 anos e afirma beber socialmente com os amigos. Ele diz, também, que acaba exagerando na dose com freqüência. No carnaval foi uma delas. “Estava muito eufórico. Misturei refrigerante com cerveja, tequila e vodca. Nem sei porque fiz aquilo mas, quando percebi, tinha perdido totalmente a noção do tempo e do espaço. Passei muito mal naquele dia”. Segundo ele, não foi a primeira vez. Na véspera do vestibular, Marcelo tomou uma medicação para estimular a memória e auxiliar nos estudos. No mesmo dia, saiu com o primo e os amigos e bebeu caipirosca (vodca, limão, açúcar e gelo). “Eu nunca deveria ter feito isso. No dia seguinte, passei o tempo todo vomitando sem parar. Foi horrível”. Ele fez a prova, mas não passou. Com o estudante Paulo *, de 15 anos, a situação é um pouco mais grave. Ele ingeriu álcool pela primeira vez aos 13. Desde então, o comportamento quieto, reservado e tímido se tornou irreconhecível quando ele está sobre efeito da cerveja, uísque e da vodka, suas bebidas preferidas. Caçula de oito irmãos, Paulo bebe todos os fins de semana e é dependente do álcool. A prima dele, Vitória*, revela as atitudes do menor quando está alcoolizado. ‘Ele é capaz de dançar no meio da rua, mexer com a namorada dos outros e fazer o maior escândalo. A dose pode até ser pequena que já o deixa desorientado”. Outros exemplos foram conseguidos durante a Festa da Integração, que ocorreu de 22 a 26 de agosto, foram autuados aproximadamente 50 menores consumindo álcool, uma média de dez adolescentes por dia. Para o conselheiro tutelar Lucas Verzola, o número é alto. “Se levarmos em consideração que o evento era de cunho religioso, os dados são elevados”. Esta foi a primeira vez que o Conselho Tutelar realizou autuações de consumo de álcool a menores durante a festa. “A idéia daqui pra frente é repetir o trabalho em outras edições do evento”, revelou Verzola. DEPENDÊNCIA Outro dado assustador vem do Conselho Tutelar, neste ano, 171 casos de consumo de álcool por menores foram detectados. Além do consumo de álcool, outro dado que preocupa é a dependência química entre os jovens. Um levantamento realizado pelo Pró-Reav (Projeto de Restauração de Vidas) mostra que, de janeiro a agosto de 2007, 74 adolescentes francanos, com idade entre 12 e 18 anos, foram atendidos. Eles consumiram álcool em excesso, sendo que 15 deles -20% - foram internados para tratamento. Para a presidente da entidade, Eliana Justino, 48, o álcool pode ser a porta de entrada para outras drogas. “Muitos jovens acreditam que beber em excesso, atualmente, é normal. Mas eles não têm noção de que o descontrole pode levar a dependência de outras drogas. E o pior, a maioria deles não tem consciência disso”. *Nomes fictícios

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