Franca entre as campeãs em empresas do Estado


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A loja da 100% Vídeo, na Avenida Ismael Alonso y Alonso, é uma das que abriram as portas neste ano
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Franca é a nona cidade do Estado de São Paulo em número de empresas cadastradas. Para cada 13 habitantes, existe uma. Ao todo, são 25.389 unidades registradas. O levantamento é do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) e da Prefeitura Municipal. O dado que, a princípio, deveria ser motivo de comemoração é, na verdade, um alerta. Para os economistas, um grande número de empresas sem o correspondente crescimento em arrecadação ou geração de empregos reflete a fragilidade da economia local. É como se boa parte da riqueza circulando no município tivesse estruturada em cima de pequenas e microempresas, mais suscetíveis a sofrerem com fatores externos. “O estudo mostra que em Franca temos uma média de três trabalhadores formais por unidade. Isso é muito pouco”, avalia Hélio Braga Filho, professor de Economia da Uni-Facef e diretor do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais). Para ele, o grande número de empresas é resultado da falta de oportunidades no mercado de trabalho. “As empresas com maior estrutura não estão contratando e poucas dão alguma perspectiva aos seus empregados. Sem encontrar colocação ou ter uma visão de futuro, o trabalhador se vê induzido a tentar a sorte em um negócio próprio, normalmente sem preparação para tal”. Outro fator que, segundo o professor, estaria influenciando nas estatísticas é o fenômeno que os economistas chamam de desconcentração industrial. “Isso acontece quando empresas de grande porte resolvem mudar seu foco, deixando a produção e investindo em outros filões. Um exemplo claro disso em Franca é a Sândalo, que passou sua produção para outras empresas e preferiu investir em design e pesquisa”. Os efeitos do surgimento de tantas empresas são conhecidos da humanidade há séculos. “Com uma oferta maior de produtos no mercado e a concorrência, os preços caem e a margem de lucro diminui, afetando diretamente a arrecadação e forçando a economia a um encolhimento”. Isso porque, sem ter preparo para atuar num mercado altamente competitivo, muitas empresas acabam não sobrevivendo por muito tempo. “Temos um estudo na área calçadista que mostra que o tempo de vida de uma microempresa do setor não costuma chegar a dois anos. Poucas quebram essa regra”. Para o secretário de Finanças de Franca, Sebastião Ananias, o alto número de empresas da cidade não reflete a realidade do município. “Primeiro porque muitas delas se mantém ativas no cadastro municipal porque não querem gastar com o encerramento de atividades, mas na realidade, não atuam mais. Segundo, com dificuldades para sobreviver no mercado, algumas acabam sonegando impostos e afetando a arrecadação. Trabalhamos com uma margem de sonegação que chega a 60%. Mudar isso tem sido um grande desafio”. Colaborou Marco Felippe

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