Jorge Kajuru: ‘Meu prazer é meter o pau nos outros’


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Jorge Kajuru durante palestra no auditório “Jornalista Côrrea Neves”
Jorge Kajuru durante palestra no auditório “Jornalista Côrrea Neves”
Quando ainda era um menino de apenas 11 anos em Cajuru (SP), Jorge Reis da Costa falou publicamente no meio de um salão que a diretora da escola em que estudava era sapatão. Foi expulso do colégio. Seis anos depois, em 1978, empurrou o diretor-geral da Rádio Capital, Pedro Crispi, na piscina. Não havia gostado de ver o chefe chamar a atenção de um funcionário humilde que estava fumando. Foi mandado embora? “Na hora”, responde de bate pronto. O tempo passou. O adolescente desconhecido continuou falando o que pensava e se transformou no polêmico apresentador esportivo Jorge Kajuru. A mesma irreverência e autenticidade que renderam fama e dinheiro, também fizeram brotar mais de uma centena de processos. 108, para ser preciso. Segundo o réu, todos eles por falar a verdade. “Ganhei muito dinheiro, mas gastei tudo com advogado”. Engana-se quem pensa que tantas ações judiciais poderiam calar Kajuru. Condenado a falar, noveleiro assumido, amante de uma cerveja e com a mesma língua afiada de sempre, o apresentador abriu, ontem, a série de palestras para comemorar a inauguração oficial das novas instalações do Comércio e da Rádio Difusora. “Amo discordar. Meu prazer é meter o pau nos outros”. Foram duas horas e 20 minutos de gargalhadas e revelações. “Pode publicar tudo o que falei, menos as questões pessoais”. Daria para escrever um livro. As tais questões pessoais se referem a romances com pessoas famosas, experiências vividas na infância - “Fiz troca-troca, sim” -, um drama familiar vivendo em Goiás e denominação de jogadores homossexuais. “É sacanagem achar que só o São Paulo tem jogador gay”. Kajuru não falou de um tema específico. Simpático, empunhou o microfone e respondeu a perguntas feitas por jornalistas e convidados. Concentrou suas palavras nos assuntos ligados aos bastidores da imprensa e do esporte. Fez questão de abraçar e cumprimentar o ex-jogador de basquete Fausto Giannechini, que acompanhava a palestra no auditório “Jornalista Corrêa Neves”. “Você é uma reserva moral do esporte”, disse. Crítico contumaz do também apresentador Milton Neves e do presidente Lula, e admirador do governador José Serra, Jorge Kajuru revelou nunca ter votado. “Não tenho título de eleitor”. Disse que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, teria sido o responsável pela sua demissão da TV Bandeirantes, em 2004. “Aécio Neves? Esse, cheira mal”. Também destilou seu veneno contra outros políticos. “Tenho vontade de ver um monte de gente morta. Não tô nem aí. Não sou hipócrita. Se o Marconi Periro (ex-governador de Goiás) morrer, vou tomar champanhe”. Disse que o Brasil não tem condições éticas e morais de sediar uma Copa do Mundo. “Os homens de bem estão fora da política e do futebol”. Assumiu a paixão pela cerveja e revelou não ser ligado a coisas materiais. “Para mim, o que não pode faltar é o dinheiro para a cachaça”. Disse ter ficado impressionado com a estrutura do Comércio e da Difusora. “Gostei prá caramba daqui. É tudo muito bonito e bem organizado. Fiquei até envergonhado de ter cobrado R$ 1,5 mil de cachê. Depois da palestra, Kajuru tirou fotos com fãs, deu autógrafos e falou ao vivo na Rádio Difusora. Já era madrugada e o apresentador permanecia na redação conversando com os amigos e empunhado um copo do uísque.

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