Plataformas de desenvolvimento


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A Internet e o trabalho em rede já se tornaram ferramentas relevantes nos trabalhos de pesquisa e inovação das grandes companhias. O modelo adotado por muitas companhias é o de plataforma de conhecimento. Primeiro, a companhia mapeia especialistas na Universidade, para o projeto que pretende tocar. Depois, coloca-os em uma rede tipo Orkut, com o intuito de discutir determinados temas. Toda evolução da discussão se dá através de um software de uso controlado. A lógica básica consiste em reunir conhecimento existente para um certo desenvolvimento tecnológico, montando um grupo de tecnologia. Com isso se consegue agilidade muito maior. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) está muito mais relacionada com a troca de conhecimento do que com disponibilidade de informação. É o que fez a Braskem, conforme informa seu diretor de Tecnologia e Inovação Luiz Fernando Cassinelli. O sistema permite, inclusive, interagir com o Sistema Lattes - uma base de dados de 500 mil nomes entre doutores, mestres e especialistas do meio acadêmico, um banco de dados único no mundo. Através do Currículo Lattes, a Braskem consegue mapear linhas de pesquisa nas universidades assim como pesquisadores mais adequados. As informações foram levantadas em um dos workshops do Projeto Brasil, colocando frente a frente um representante das empresas e um da pesquisa acadêmica - Britto Cruz, ex-reitor da Unicamp e diretor científico da Fapesp. A maior parte das 159 patentes que a Braskem conseguiu foi nos últimos cinco anos, quando começou a investir internamente em inovação e tecnologia, através desse modelo de plataformas de desenvolvimento. Muitos outros setores já recorrem a esse modelo, como a própria indústria aeronáutica. O próprio MIT tem uma unidade de contratação de serviços, à qual estão filiadas algumas empresas brasileiras. Elas pagam uma quantia por ano pela possibilidade de discutir determinados assuntos em uma dessas plataformas de desenvolvimento Esse mesmo modelo é aplicado pela Universidade de Waterloo, no Canadá, e pelo Instituto Holandês de Tecnologia. Há dois tipos de discussão: a coletiva (assuntos de interesse geral) e discussão específica, onde a empresa propõe linha de pesquisa e financia desenvolvimento. Conta Britto Cruz que já existem empresas na web cujo negócio consiste em oferecer essa conexão entre o pesquisador e a empresa. Ambos se inscrevem, a empresa apresenta o desafio e o pesquisador a proposta. Principal teórico da guinada que ocorreu no meio acadêmico, que passou a assimilar a importância da pesquisa, ao lado da formação e da extensão, Britto Cruz sempre defendeu que inovação tem que ocorrer no âmbito das empresas. É muito mais produtiva a empresa que monta e gerencia seus projetos de pesquisa e inovação, e contrata desenvolvimentos específicos na Universidade. Cassinelli concorda com essa visão. A Braskem tem 150 pessoas no seu departamento, 27 doutores e mestres, 25 bolsistas de doutorado e mestrado incentivados pela empresa a trabalhar na Universidade em linhas determinadas de pesquisa. Na área de empresas tecnológicas, em geral há grande dificuldade em encontrar cientista ou visionários com noção de gestão. Por isso mesmo, nos EUA se dá grande valor para o sujeito com grandes idéias que já quebrou a cara várias vezes. É o mais apto a aprender com os próprios erros. Segundo Britto, no Brasil a síndrome do fracasso é mais forte. O sujeito que fracasso uma vez fica estigmatizado. Uma das grandes dificuldades na negociação empresa-universidades é a falta de conhecimento financeiro nas negociações. O INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) permite até 3,5% a título de roylaties. Existem universidades querendo, às vezes, de 10 a 15%, inviabilizando contratos. Uma das saídas é a montagem de estruturas internas nas Universidades, que aprendam a negociar com as empresas, como fez a própria Unicamp. Segundo Britto, na Fapesp existem 750 empresas pequenas, que receberam financiamento a fundo perdido para desenvolvimento tecnológico. São as com mais flexibilidade para negociar com as universidades. Em geral encomendam um projeto para alguém da própria Universidade montar. Sendo aprovado, o pesquisador é contratado para tocar o projeto, tendo a vantagem de saber quem é quem dentro do Instituto. PLATAFORMA P-55 A plataforma P-55 pode ter a licitação de construção cancelada devido ao alto preço apresentado pelo estaleiro Jurong Shypiard para a fabricação do casco da embarcação. A afirmação é do diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, feita durante evento de apresentação do Plano Estratégico 2020, ontem, no Rio. Assim, a previsão é que a plataforma fique pronta apenas em meados de 2012 e não em 2010. “A tendência é cancelar a licitação da P-55, porque o preço é excessivo. Nós estamos simplificando os projetos e recebemos uma só proposta, que também foi considerada com um valor alto. Estamos reabrindo negociação com os projetos simplificados para tentar fechar com os usuários dos estaleiros, grupos que estão trabalhando no Brasil”, disse Estrella. Ele relembrou que o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, havia dito na inauguração da P-54, em agosto, que a companhia não fará o projeto a qualquer custo, mas chegará a um acordo com os fornecedores brasileiros. Ele declarou que as últimas propostas estão fora do alcance da empresa. “Os preços estão se tornando inexeqüíveis”, disse Estrella. METALÚRGICOS Sem proposta de aumento salarial das montadoras, os metalúrgicos podem cruzar os braços a partir das próximas semanas. No Estado de São Paulo, 65 mil trabalhadores de empresas fabricantes de veículos aguardam as negociações que ocorrem hoje com representantes do Sinfavea (sindicato das montadoras) na tentativa de firmar um acordo salarial. O impasse na campanha salarial começou na semana passada, quando as montadoras ofereceram repor somente a inflação acumulada nos últimos 12 meses (sem conceder aumento real) e um abono fixo no valor de R$ 650. Os empregados das montadoras pedem, entre outros itens, reajuste acima da inflação (o percentual do ganho real não foi divulgado) e aumento de 20% para o valor do piso salarial, que hoje é de R$ 1.030.

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