Lendas caipiras


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Lançado no último dia 26 do mês do folclore, o CD Lendas Caipiras, de Germano traz, aos ouvidos de quem tem sensibilidade regional, pequenos causos de boiadeiro e antigas lembranças de sítios e fazendas interioranas. De origem humilde e batalha constante, Germano se inspira em genuínos caipiras como Rolando Boldrin, Almir Sater e Renato Teixeira para seus arranjos. Com poucos recursos, mas muita vontade, o compositor percorre a região em shows repletos de admiradores da boa e velha moda de viola. Em meio aos shows em casas noturnas, o compositor lança neste mês o seu primeiro DVD acústico, dirigido pelo baixista Jean Fransérgio e produzido por Ademar Ouro, conta ainda com a viola-solo de Renato Souza e Matheus Duarte. Buscando nas histórias que ouvia quando menino a inspiração para suas composições, Germano leva ao público antigos momentos da rotina pura, suave e sem pressa do campo, em que o valor moral ainda era a fibra que construía o homem e conservava sua história de boca em boca. Seu trabalho rememora tempos em que o homem era pesado por suas ações e não por seu bolso. Lembranças de lugares e de pessoas simples que deixaram sua marca na vida de toda uma região. Esta combinação sempre gerou ótimas composições e lendários refrões. Mesmo quem não aprecia o estilo deve se lembrar pelo menos de algum refrão. As antigas modas de viola surgidas da rusticidade do homem do campo retornam à região formadora de duplas sertanejas de sucesso. Na voz suave e nada chorosa ou gritada de Germano, os causos regionais tomam forma de poesia plena em pureza e calma, como é o verdadeiro campeiro. Quem espera dores de cotovelo ou melosas lamúrias de paixão vai se surpreender: a história sertaneja é mais rica que meras rimas sobre pares. Por campos amplos, iluminados apenas pelo luar, tocando a boiada e lembrando casos de antigos parceiros de tropa, o original caipira nada lembra o caipira country. É mais... é recordação da terra limpa deixada nos passos do cavalo, dos amigos que ficaram pelo caminho, dos ancestrais que abriram os campos, dos animais que serviram de acalento e alimento. Este é o estilo de Lendas Caipiras. É ouvir e se sentir num sítio, colocar o CD e recordar a brisa perfumada das matas. Germano, poeta das poucas e puras palavras, soube transpor às agudas cordas da viola estes cheiros e sensações como poucos. E traz a público lendas da região, vidas de personagens locais e situações da rotina ainda mantidas nos pequenos vilarejos ao sul de Minas e norte de São Paulo. Engana-se quem pensa que a vida rural se entregou totalmente ao concreto e ao celular. No coração e nas atitudes, ainda firmes, vale o paiero, as botinas de camurça e a mera prosa sobre galos e goles. O grupo de peões ainda se reúne em torno da fogueira de marcador, depois de juntados os garrotes, e assa a carne quente trocando cabeças e experiências. “É sorrir sozinho”, diz parte do refrão da música-tema de Lendas Caipiras. As composições não tratam de situações. Antes, resumem sensações. Pois a história sempre tem como partida um sentimento antes da atitude.

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