O STF e a expectativa popular


| Tempo de leitura: 2 min
Alfredo Palermo Especial para o Comércio Os jornais paulistanos, editados no domingo passado, ofereceram a seus leitores um farto manancial de notícias que nunca imaginaria fosse possível encontrar naqueles órgãos, envolvendo o STF, o mais alto escalão da Justiça no Brasil. E o Estadão e a Folha, não fosse a existência de outras matérias, por exemplo, a grande entrevista do presidente Lula, em que declara “não pretender disputar uma nova eleição”, no final de seu mandato. Lendo o exemplar do Estadão de domingo, vamos encontrar os seguintes títulos: na primeira página, o tema de abertura, o “Mensalão: a imagem da Justiça em jogo”, com este subtítulo - “STF tem chance de deixar a reputação de indulgente que ganhou com o episódio de Collor”, que foi cassado por prevaricação. Na página A-10, a manchete “STF admite 5 crimes no mensalão”. Que crimes, na análise dos juízes nos primeiros 19 processos de cassação? O jornal dá destaque a cinco figuras criminais: lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta. Peculato e corrupção passiva. E no resto da nota se esclarece que a atual decisão do STF é apenas para a finalidade de autorizar a abertura do processo contra todos os envolvidos. Os comentários da Folha, pelos seus termos, envolvem a possibilidade dos julgamentos perante o STF, com esta manchete sensacional: “Julgamento do mensalão pode redefinir a credibilidade da Justiça”. O substituto dessa manchete, como se poderá verificar, considera que “A própria imagem da Justiça está em jogo, segundo juristas, advogados, magistrados, procuradores e entidades”. Pelo que se nota na transcrição das notícias dos dois maiores órgãos de imprensa da Capital, há o perigo ínsito de as sentenças futuras absolverem esses 40 figurantes do mensalão, o que seria uma ofensa inadmisssível para a imagem da Justiça, a qual se alicerça naquele dogma latino - dura lex sed lex. Aliás, na entrevista que concedeu ao Estadão, o presidente Lula, indagado como via os processos dos mensaleiros no STF respondeu: “Quem for culpado, que seja condenado”. Falou e disse, com a visão de quem tem um caminho sedutor na História do Brasil.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários