A fila de espera para cirurgias eletivas da Santa Casa, que tem mais de 5 mil pacientes, pode ficar ainda maior. Com a transferência da gestão das operações de média e alta complexidade da Prefeitura para o governo do Estado, o número de operações realizadas todos os meses pode diminuir.
Enquanto a Prefeitura estava no comando, o hospital realizava procedimentos extras que, depois de muito impasse, eram pagos pelo município. A partir de agora, a Santa Casa terá de obedecer a um controle rígido feito pelo Estado, o administrador do dinheiro. Pelo acordado, o governo libera a realização de 189 cirurgias eletivas por mês. O que for além disso terá que ser negociado e autorizado previamente.
O problema é que o número é muito inferior à demanda da cidade. Para se ter uma idéia, até o dia 28 deste agosto, a Santa Casa realizou 223 cirurgias - com dinheiro ainda encaminhado pela prefeitura que ainda contou com ajuda da Câmara Municipal -, número que já é pequeno para a quantidade de pessoas que esperam na fila.
O diretor clínico do hospital, Marcelo de Paula Lima, antecipou que apenas serão realizadas as cirurgias que têm data marcada, as demais terão que esperar. “Vamos fazer aquilo que está contratado. Se fizermos a mais, se-remos punidos. Não recebemos por aquilo que não está contratado. Nós estamos nos organizando para não fazer além do programado”.
A assessoria de imprensa do Governo garante que não deixará pacientes sem atendimento. Por mês, o Estado deve liberar R$ 1,1 milhão para a realização das 189 cirurgias eletivas. A cada quatro meses, a Secretaria Estadual de Saúde promete fazer um balanço para verificar se há a necessidade de aumentar o valor.
SOLUÇÃO?
Marcelo de Paula disse que uma solução para o problema poderá partir das próprias prefeituras que precisam garantir o atendimento à população. “Isso vai gerar uma demanda reprimida importante na qual cada município vai poder colocar a mão no próprio orçamento e comprar mais (cirurgias) ou então fazer pressão no Estado para aumentar o teto físico (de número máximo de operações)”.
Para o secretário de Saúde de Franca, Alexandre Ferreira, a solução é inviável. “Quando acontecia conosco, a gente pagava. Se caso acontecer, o Estado tem que pagar. Nós não vamos pagar a diferença de um dinheiro que não está com a gente. Nós não gerimos mais o sistema de cirurgia. Se nossa fila começar a crescer acima disso, nós temos que negociar com Estado, para que ele tome providências”.
Alexandre diz, no entanto, que não acredita que o Estado não autorizará os procedimentos extras. “Ele não pode deixar as pessoas morrerem, tem que cobrir”, fina- lizou.
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