Felizes os humildes


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Neste domingo, o evangelho relata a visita de Jesus, como hóspede, na casa de um notável fariseu, em dia de sábado, e não se deixa manipular pelo anfitrião. Ele observa a disputa dos convidados pelos primeiros lugares no banquete e assim faz uma contraproposta: procurar os últimos lugares. A humildade e a gratuidade são virtudes dos discípulos promotores do Reino. A primeira leitura é do livro do Eclesiástico e põe frente a frente as atitudes de humildade e de orgulho. Dois modos distintos de proceder. Os humildes são dominados pelos orgulhosos. A atitude que agrada a Deus é a humildade. Ela brota do reconhecimento da grandeza de Deus e da confiança nele. O orgulho origina-se da autoconfiança, da auto-suficiência que absolutiza pessoas, cargos sociais, culturas e coisas. O texto conclui com um convite ao discernimento inteligente para não ceder à ganância e à ambição, que geram uma sociedade cada vez mais violenta, corrupta e injusta. Na segunda leitura, São Paulo mostra à comunidade os dois modos de experimentar Deus. No passado, no deserto e na aliança do Monte Sinai, o povo fez a experiência de um Deus próximo e distante. Ele se revelava na tempestade, na escuridão, no toque da trombeta e na sarça ardente. Ninguém podia aproximar-se dele. Todavia, no tempo da nova aliança assinalada com o sangue de Jesus, Deus tornou-se próximo e íntimo, a ponto de morar e formar com seu povo uma única família. Em Jesus Cristo, a comunidade faz uma experiência imediata de Deus. No evangelho Jesus entra na casa de um chefe dos fariseus para tomar parte de uma refeição, em dia de sábado. Trata-se de uma refeição festiva. Jesus observa o comportamento social dos convidados. Os primeiros lugares eram os mais disputados. A atitude mínima de um convidado é esperar, com paciência, que o dono da casa lhe indique seu lugar à mesa, pois não é o grau de intimidade entre eles que determina isso, mas sim o grau de valorização que o anfitrião atribui àquele convidado. Observando o comportamento dos convidados Jesus sublinha a atitude de humildade que ultrapassa as etiquetas. Ao chefe dos fariseus, Jesus diz que não se deve relacionar somente com quem tem condições de retribuir, mas inclua também quem é capaz de partilhar gratuitamente. Jesus não proíbe afeição aos familiares e amigos, mas ensina que o amor gratuito de Deus requer algo mais: no convite a tomar parte do banquete da vida, deve-se também optar pelos que são esquecidos e tidos como menos importantes. LIÇÕES DA HUMILDADE I Humildade é palavra que deriva do latim humilis, a qual vem de hummus, significando “filhos da terra”. Humilde é aquele que se move perto da terra; aquele que, com sabedoria e realismo, reconhece sua real situação em relação a Deus, às outras pessoas e a si mesmo. Santa Teresa define assim: “Humilde é andar na verdade”. LIÇÕES DA HUMILDADE II A humildade é uma virtude que anda meio esquecida, mas se faz sempre mais necessária. O cristianismo fez dela uma das mais importantes virtudes. Para reconhecer a majestade, a infinitude de Deus e reconhecer-se criatura finita, pobre e limitada, é preciso ser humilde. LIÇÕES DA HUMILDADE III A humildade é uma virtude estranha, chocante e até incômoda para a mentalidade moderna, marcada pela concorrência, pelo mérito e pela celebridade. Ninguém aceita ficar no último lugar da fila, seja no trabalho, na escola, na família ou na Igreja. Não é fácil aceitar, com alegria e com todas as conseqüências, a fraqueza, a precariedade reafirmar a nossa opção evangélica pela humildade e pela gratuidade. LIÇÕES DA HUMILDADE IV Praticar a humildade e a generosidade é testemunhar a gratuidade do Reino, como mistério de comunhão de pessoas sem dominação ou subordinação. A humildade é a atitude mais digna do homem diante de Deus, porque não o diminui, mas o coloca em seu lugar. É o modo mais correto do ser humano se relacionar com seus semelhantes. Estes pensamentos sobre a humildade pertencem a Maria Clara Bingemer, publicados aos 20 de junho de 2005. MADRE TERESA DE CALCUTÁ Para mim, o grande testemunho de humildade no nosso século. Por ter uma fé inabalável em Deus sentia-se chamada a viver de forma humilde que conseguia ser notada por reis, príncipes, Papa, cardeais e os mais simples da terra. A fé que possuía em Deus se tornava clara nas atitudes praticadas: seu maior tesouro era o pobre. No coração desta religiosa havia lugar para todos que eram excluídos e massacrados pela sociedade alimentada no orgulho e na vaidade. IRMÃ DULCE No Brasil, outro exemplo de santidade. Cuidava dos pobres, abandonados, tristes e doentes da Bahia. Possuía estatura pequena e curvada, mas era grande e firme na fé e no amor ao próximo. Seu coração era semelhante ao coração de uma mãe. Acolhia a todos, com especial carinho pelos mais necessitados. PENSAMENTO “Bem-Aventurados os humildes, deles é o Reino do Céu”. (Lc 6)

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