Eles não correm pelas ruas, não são vistos nas praças e em nenhum outro logradouro público. Ficam tão escondidos que poucos na cidade sabem da existência deles, enquanto outros até duvidam que eles existam. Mas é fato. Itirapuã, a 27 quilômetros de Franca, tem 17 mil frangos de granja para abate. O rebanho de aves é tão expressivo que chega a ser três vezes maior que a população local e, para carregá-lo, são necessárias cinco carretas.
Engana-se, porém, quem pensa que a cidade é capital do pinto. Em Jeriquara, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta uma população de 150 mil cabeças de galos, frangas, frangos e pintinhos. O efetivo é suficiente para alimentar os 3143 moradores durante um ano, quatro vezes ao mês.
O total, embora cause espanto, é ainda maior quando se soma a ele a população avícola de 13 cidades que compõem o EDA (Escritório de Defesa Agropecuária) de Franca. Segundo o diretor do órgão, Antônio Vitor de Oliveira, mensalmente são 1,5 milhão de frangos criados e engordados para a unidade de aves da Seara/Cargill em Nuporanga. Cada um deles é vendido por R$ 0,40. “A empresa fica com 100% dos frangos de corte produzidos na região. É uma parceria que eles fazem com os produtores. A Seara entra com os frangos e a ração e o produtor com a granja e a mão-de-obra. O sistema tem dado certo. Eram 800 mil no ano passado e, em 2007, a média tem sido de 1,5 milhão mensais. Para o próximo ano, a tendência é aumentar”.
A razão de tanto frango para um número de gente três vezes menor na região tem explicação. Os estrangeiros adoram a nossa “galinha” para incrementar o cardápio. As aves criadas nas 80 granjas cadastradas no EDA são exclusivas para exportação. Elas ganham peso aqui e depois são devoradas na África, Ásia, Caribe, Ilhas Canárias, Japão, Rússia e, acreditem, em Hong Kong e em Cingapura.
Antônio Vitor diz que a demanda por frangos no mercado externo tem sido tão alta que a Seara/Cargill tem incentivado os seus fornecedores a aumentar a produção. Até uma parceria com uma instituição financeira foi fechada para facilitar o acesso ao financiamento para a construção da granja.
Responsáveis pelo exército de frangos de Itirapuã, Terezinha Rocha Stefani, 54, e o marido José Vitório Stefani, 60, estão convencidos a colaborar nessa multiplicação. A granja que ocupa 1,5 mil metros quadrados na Fazenda São João deve ganhar uma ampliação até o fim do ano. “A nossa capacidade hoje é para 18 mil frangos, mas queremos aumentar para 25 mil antes de 2008”. E se caso, esse “puxadinho” no atual galpão não for suficiente, a propriedade tem espaço para a construção de mais uma granja. “Estamos há oito anos no ramo e não pensamos em parar.
Quanto mais os gringos comerem frango, melhor para nós”, comemorou Terezinha.
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