Pânico na internet


| Tempo de leitura: 2 min
Há mais ou menos seis meses, Roberta Miranda, 22, que trabalhava no departamento pessoal de uma loja, chegou na empresa e, como sempre, conectou-se ao MSN. Depois de algumas piadinhas e mal-entendidos descobriu que alguém havia clonado uma de suas fotos, disponíveis no álbum do Orkut (site de relacionamento), modificado a imagem e encaminhado para todos os seus contatos profissionais. Na fotomontagem, Roberta estava seminua. Ela ficou apavorada. “A foto foi encaminhada para fornecedores e clientes da loja. Quase perdi o emprego. Nunca passei tanta vergonha na minha vida”. Para piorar, o arquivo estava com vírus e Roberta teve que pagar a manutenção dos três computadores da empresa. Ela desconfia de quem possa ter sido o responsável pelo caso, mas uma dúvida ainda a perturba. “ Não consigo entender como a pessoa descobriu a minha senha”. No mesmo dia, ela deletou o MSN e agora toma muito cuidado com as imagens que disponibiliza na internet. Assim como Roberta, o auxiliar de almoxarifado Anderson da Silva Santos, 22, sabe muito bem o que é ter a privacidade invadida. Ele precisou se explicar depois que inúmeros recados foram enviados em seu nome por meio do Orkut. “Entraram no meu perfil e começaram a xingar pessoas que eu nem conheço”. A estudante Marina Bérgamo, 18, também se deu mal na vida on-line. Há uns três anos, ela criou um tópico na comunidade no Orkut sobre a escola onde cursava o ensino médio, falando tudo o que pensava sobre uma antiga professora. “Foi uma confusão. Ela conversou com meus pais e quase me processou. Credo, não gosto nem de lembrar”. Depois do acontecido, Marina parece ter aprendido a lição. “Internet agora só para bater papo com os amigos”. Segundo o diretor da Aldeia Digital Internet, especializada no sistema Linux de proteção de computadores, Alexandre Paes, 32, é aí que mora o perigo. “As pessoas acham que a internet é inofensiva e, por isso, não se preocupam ao expor informações pessoais”. Para ele, o problema está muito mais nas técnicas de persuasão do que nas falhas do sistema de segurança do computador. “Os interessados não precisam de muito esforço para descobrir como é a vida das pessoas e quanto em dinheiro elas têm no banco. Basta uma boa conversa no bate-papo e os dados disponíveis nos blogs e sites de relacionamento que eles já conseguem as pistas necessárias”. E para isso não é preciso ser um hacker (especialista em computador). Hoje em dia qualquer jovem pode baixar arquivos da internet, desde os joguinhos mais ingênuos até os programas mais perigosos como os key loggers, que armazenam tudo que é digitado no computador, decifrando, assim, senhas de banco, e-mails, entre outros. Segundo Alexandre, a principal dica é não se expor, tomando cuidado com as informações transmitidas na web. Mesmo porque ainda não existem no Brasil leis específicas para os crimes virtuais e a comprovação desses crimes é difícil e demorada.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários