A crise das agências de risco


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Um dos enigmas das últimas crises financeiras mundiais é o papel das agências de risco. Essas agências são como batedores da cavalaria (os investidores internacionais). Cabe a elas analisar os riscos dos investidores, tanto nos investimentos em empresas, em fundos e em países. Se as agências melhoram a avaliação sobre o Brasil, por exemplo, imediatamente deflagram um movimento de ampliação da participação de papéis do Brasil nas carteiras desses investidores. A grande defesa dos gestores, quando tomam determinadas decisões de investimento, é justamente a avaliação dos fundos sobre sua carteira. * * * Por isso mesmo, as agências de risco sofreram críticas gerais por não terem previsto os problemas com fundos hipotecários, na recente crise do mercado norte-americano. Nesse mercado, uma instituição concedia financiamento para um mutuário. Depois, pegava o contrato e revendia para um fundo de investimento, que pagava adiantado. De posse desse dinheiro, a instituição emprestava para outros mutuários e tornava a revender os financiamentos para os fundos hipotecários. Com essa fartura de recursos, as instituições tornaram-se descuidadas na seleção dos mutuários. Mais que isso, algumas passaram a fraudar financiamentos, para poder gerar papéis (a partir dos contratos) e vender para os fundos. * * * Havia dois tipos de carteiras de financiamento: as “prime” (mais seguras e com mais garantias) e as “subprimes” (de maior risco), vendidas para fundos dispostos a correr maiores riscos em troca de taxas maiores. Na análise dos fundos e instituições, as agências de risco adotam padrões de contabilidade. Analisam quanto os fundos têm de endividamento, quanto de capital próprio, qual a estrutura de ativos. Dois fatos explicam os erros de avaliação. O primeiro, o fato das agências de risco não avaliarem adequadamente as fraudes corporativas - cuja identificação é responsabilidade das empresas de auditoria. Assim, elas partiam do pressuposto que todos os títulos adquiridos pelas instituições tinham como base financiamentos reais. E havia enorme percentual de fraudes. O segundo grande problema é a incapacidade das agências de analisar o setor como um todo. Por exemplo, em condições normais de vôo, um fundo teria condições de assumir um determinado nível de risco. Se começasse a ter prejuízo, haveria investidores querendo o resgate das cotas mas, pelas análises das agências, ele teria liquidez (disponibilidade de recursos) suficiente para garantir o saque. Se não tiver, toma emprestado de outra instituição e concede o resgate de cotas. Só que, quando estoura uma crise sistêmica, de todo o setor, há uma corrida geral dos investidores numa ponta; e a interrupção do crédito na outra ponta. E aí todos os padrões de análise das agências vão por água abaixo. É como um nadador apto a atravessar uma piscina que, de repente, se vê jogado em alto mar. * * * Por isso mesmo, terão que aprimorar muito mais suas análises e passar a incorporar avaliações estatísticas de riscos de setores inteiros, e não apenas de uma ou outra empresa. RECALL A fabricante de brinquedos Gulliver começou neste sábado a efetuar a troca de brinquedos com ímãs que oferecem perigo para crianças por outros produtos ou pelo reembolso. A empresa informou que fará campanhas para recolher os itens da linha Magnetix e que 49.674 unidades do modelo foram vendidas no Brasil em 2006. São brinquedos com esferas metálicas e hastes plásticas com ímãs em suas extremidades que permitem que as crianças montem objetos. A Gulliver já informou a relação de locais, divididos por Estado, onde os consumidores que tiverem adquirido a versão antiga do brinquedo Magnetix poderão efetuar as trocas por outros produtos Gulliver do mesmo valor. No caso das cidades não especificadas na lista, o consumidor deverá entrar em contato diretamente com o serviço de atendimento da Gulliver, no telefone 0800 770 2650 (diariamente das 8h às 17h45). O consumidor que não quiser outro brinquedo deverá entrar em contato com a central e solicitar o dinheiro de volta. A Gulliver informou que estudará uma forma de reembolsar o cliente por região. Nos EUA, o recall ocorreu após a agência que protege a segurança dos consumidores constatar 29 acidentes com os ímãs. Uma criança morreu e outras 28 tiveram de passar por cirurgia - um caso foi por aspiração, e os demais, de danos ao intestino das crianças que engoliram os ímãs. O produto é fabricado na China pela empresa canadense Mega Brands e vendido aos brasileiros pela Gulliver. CHÁVEZ RECUA O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou neste sábado em Bogotá que seu país está disposto a retornar à Comunidade Andina (CAN), da qual se retirou formalmente em 22 de abril do ano passado. Chávez, que esteve reunido com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse que a Venezuela recebeu convites de alguns governantes dos países-membros da CAN para voltar ao grupo. A Venezuela abandonou a CAN em 2006 após afirmar que a mesma tinha morrido com os tratados de livre-comércio negociados separadamente por Colômbia e Peru com os EUA. Com a saída da Venezuela, a CAN passou a ter Bolívia, Colômbia, Equador e Peru como membros plenos, e o Chile na condição de associado. A CAN se prepara para iniciar em 17 de setembro em Bogotá as negociações para um Acordo de Associação com a União Européia (UE), que contempla muito mais que o livre-comércio e abrangerá o diálogo político e a cooperação com o Velho Continente.

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