O que você faria com meio milhão de reais? O valor é alto e poderia resolver a vida de muita gente. Mas, ao contrário disso, o montante é “desperdiçado” anualmente em Franca para reconstruir espaços públicos e instalações privadas destruídas por vândalos na cidade.
A maior parte deste valor, R$ 240 mil, é gasto pela CTBC (Companhia de Telecomunicações do Brasil Central) na manutenção de sua infra-estrutura. A analista institucional da empresa, Maria Lúcia Mesadri, aponta como principal problema a destruição de telefones públicos. Em muitos casos o intuito é única e exclusivamente o de estragar o patrimônio. “O telefone público é o maior índice de vandalismo que temos, principalmente roubo de monofones. O vândalo arranca o monofone e o joga no chão”.
A Prefeitura, responsável pela administração dos espaços públicos da cidade, também gasta uma quantidade considerável para refazer o que foi destruído. Nesse caso, a falta de consciência é ainda maior, porque os recursos utilizados pelo paço municipal para refazer o que foi destruído poderiam ser utilizados para a realização de outros serviços, que, em última análise, beneficiariam o próprio indivíduo. Ismar Tavares, secretário de Obras e Serviços Municipais de Franca, estima que aproximadamente R$ 120 mil são gastos por ano com este tipo de conserto.
As praças são as principais vítimas das ações dos destruidores. Ismar fala que até mesmo grama recém plantada já foi roubada das praças públicas. “Além do problema financeiro, também é desprazeroso. Tem praça que a gente reforma, deixa ela bonitinha e, quando voltamos uma semana depois, já está tudo destruído. Isso é uma coisa constrangedora.”
Ismar salienta que é necessário fazer uma campanha para que floresça na população uma sensação de responsabilidade individual pela cidade. “Nós, francanos, precisamos despertar um espírito de amor pela cidade. Hora que nós tivermos um carinho pela cidade, as coisas irão melhorar.”
Em alguns casos, o vândalo causa destruição para se beneficiar. É o que acontece com os hidrômetros da Sabesp, como explica o gerente regional da Sabesp, Rui Engrácia Garcia Galuz. “O grande problema é o pessoal achar que avariando o hidrômetro de alguma maneira, ele pode ter algum tipo de vantagem. Isso não acontece porque o próprio sistema da sabesp detecta isso. O que temos é só prejuízo dos dois lados”. De acordo com Engrácia, R$ 85 mil são gastos por ano pela empresa para arrumar o que os vândalos destruíram.
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