Anistia: a verdade desfigurada


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Nesta semana, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos lançou o livro O direito à verdade e à memória, no qual descreve abusos cometidos pelas forças de segurança do Estado durante o Regime Militar. Ao prantear os 380 comunistas mortos na época, à certa altura o livro sugere que a Lei da Anistia não deveria beneficiar os militares, mas tão somente os seus antípodas, alegando que estes últimos eram vítimas indefesas e os primeiros, pérfidos algozes. A Secretaria de Direitos Humanos parece esquecer que, de 1961 a 1974, as guerrilhas de esquerda assaltaram bancos, explodiram bombas contra quartéis e delegacias, seqüestraram diplomatas e executaram oficiais capturados em combate. Onde estão os direitos humanos do soldado Mário Kozel, despedaçado em 1968 no atentado ao QG do II Exército? Onde estão os direitos humanos do tenente Alberto Mendes Jr., amarrado e morto a coronhadas pelo terrorista Carlos Lamarca após se oferecer como refém no lugar de seus soldados aprisionados? Onde estão os direitos humanos dos outros 120 militares e policiais assassinados pelos comunistas? Alguns alegam que esses atos de terrorismo eram o caminho inevitável a ser trilhado pelas esquerdas após 1964, posto que não havia mais eleições. Esquecem que os movimentos guerrilheiros começaram em 1961, ainda durante o governo Quadros, com dinheiro e armas fornecidas pelo regime cubano, conforme comprovou a historiadora Denise Rollemberg. O objetivo dos terroristas não era redemocratizar o País, mas convertê-lo numa ditadura vermelha, semelhante às que se via na URSS, na China e em Cuba - muito mais violentas do que o nosso governo fardado. Apesar da mentira de uns, da omissão de outros e da ignorância de muitos, a verdade histórica não pode ser invertida: se hoje o Brasil pode respirar o ar abençoado da democracia, é graças aos mártires e heróis que tombaram combatendo a guerrilha comunista. Desmascarados os facínoras que tentavam bolchevizar a nossa Pátria, agora eles increpam de “ilegítimo” o Movimento de 1964, fingindo esquecer que este contou com amplo respaldo popular. Os mesmos grandes jornais que hoje condenam as Forças Armadas apoiaram maciçamente a deposição de João Goulart. O mesmo se diga da Igreja, que em 1964 levou 800 mil fiéis às ruas para pedir a cabeça do presidente. Isso sem mencionar a população, como já admitiu o próprio presidente Lula: “Quando houve o 31 de março, eu achei o golpe uma coisa boa, porque pro povão o Exército é uma instituição de muita credibilidade. Pelo menos os pobres tinham essa idéia. Na época, se houvesse eleições livres, o Médici ganhava de lavada. E foi no auge da repressão mesmo. A popularidade dos generais no meio da classe trabalhadora era muito grande. Digo isso pelo que eu vivia nas fábricas. Era o tempo do ‘Brasil: ame-o ou deixe-o’, do ‘Brasil potência’, etc.’’. O depoimento acima fala por si. Não pede comentários. Infelizmente, a verdade incomoda a muitos. Por isso ela vem sendo desfigurada: desde o 31 de março de 1964. EDUARDO LUCAS DE VASCONCELOS CRUZ é professor, bacharel em Relações Internacionais e mestrando em História pela Unesp, aluno do 5º ano da Faculdade de Direito de Franca e editor-assistente do Comércio.

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