Oitocentas e noventa e quatro cirurgias eletivas. É o que a Santa Casa realizou, de janeiro a agosto, com R$ 741 mil do R$ 1 milhão disponibilizado pela Câmara no início do ano. Desse total, ainda restam R$ 259 mil a serem utilizados, dinheiro que ainda não foi repassado pela Prefeitura ao hospital. De acordo com o diretor-clínico da Santa Casa, Marcelo de Paula Lima, aproximadamente R$ 90 mil além deste valor já teriam sido aplicados no mês de agosto.
O aditivo da Câmara fez com que o número de cirurgias realizadas pelo hospital, tirando as pagas por planos de saúde e particulares, saltasse de 2.218 nos sete primeiros meses do ano passado para 3.477 no mesmo período deste ano. Além disso, o número de cirurgias autorizadas pela Prefeitura no período, descontadas as realizadas com os recursos da Santa Casa, aumentou em 365 procedimentos. Os recursos são disponibilizados para a instituição após a conclusão das operações.
De acordo com Marcelo, o hospital não controla os recursos doados pela Câmara. “Quero deixar bem claro que a Santa Casa realiza a cirurgia e na semana seguinte recebe o dinheiro. A Santa Casa, em nenhum momento recebe dinheiro antecipado. Este dinheiro está no caixa da Secretaria de Saúde”.
A Santa Casa funcionaria, então, apenas como uma prestadora de serviços, como qualquer outra empresa que trabalha com a administração pública. “Quem gera a demanda, distribui o dinheiro e compra o serviço da cirurgia seletiva é a Secretaria de Saúde, que vem comprando efetivamente as cirurgias propostas pela Câmara.”
O número de cirurgias varia consideravelmente de um mês para o outro. O mês com maior número de cirurgias realizadas com o dinheiro da Câmara foi maio, quando 200 pacientes foram beneficiados com as operações. Já em fevereiro, o número foi bem menor. Foram realizados apenas 56 procedimentos. Os recursos doados são sobras da verba destinadas pela Prefeitura ao Legislativo em 2006, quando a fila de pacientes que necessitavam de cirurgias era de aproximadamente cinco mil pessoas.
O prefeito Sidnei Rocha, o chefe de Gabinete da Prefeitura, José Paschoal Ribeiro, e o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, foram procurados pela reportagem para comentar os números e o tamanho atual da lista de espera para cirurgias, mas não foram encontrados.
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