Quero, através da Marcela, reabrir a questão do aborto, que é muito delicada mas precisa ser discutida. As mulheres devem se manifestar contra ou a favor. Ninguém admite ser a favor, mas para as mulheres ricas, é fácil interromper uma gravidez indesejada. As pobres se colocam em situação de risco, podendo ficar estéreis e até morrerem e por isso a situação precisa ser discutida. O caso da mãe Cacilda e do bebê Marcela se tornou fato por opção da mãe. Devemos levar em consideração que Deus não tem nada a ver com isso. Ele deu aos homens a condição de prognosticar o tipo de problema que Marcela teria, ainda no ventre. Cabe a nós, mulheres, decidir se queremos a gestação que nosso corpo não é capaz de desenvolver de forma saudável. Da mesma forma, a lei deveria permitir que as mulheres pudessem decidir sobre a gravidez indesejada ou não programada. Na prática, é isso que já se pratica: mesmo com a lei não vendo desta forma, as mulheres acabam tomando a iniciativa, interrompendo a gestação, e pior, na maioria das vezes, na clandestinidade. A religião é contra o aborto, mas Deus nos deu o livre arbítrio. Diante do Tribunal de contas de Deus, deveremos responder não só por aborto eventualmente cometido mas também responderemos por colocar no mundo vidas indesejadas e abandoná-las à própria sorte.
Rosa Santa Batista
é leitora do Comércio da Franca
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