A culpa é da imprensa. Esta é a solução mais utilizada para se empurrar um problema com a barriga. Em Franca, os adeptos desta forma de resolver contratempos surgem dos mais variados setores da sociedade. Se há denúncias de corrupção ou se os vereadores não apresentam projetos de interesse à coletividade, é claro que a culpa é da imprensa. Então é só gritar e descontar a raiva nos jornalistas elitistas.
Se o clube de futebol não está conseguindo os resultados esperados, é óbvio que são os repórteres os maiores responsáveis pelo fracasso. A solução é fazer greve de entrevistas para prejudicar essa imprensa alviverde, alvinegra ou tricolor. Será que a nossa classe é tão inescrupulosa e interesseira ou são as personagens da notícia que não sabem a real função do trabalho jornalístico?
O jornalista não existe para elogiar, aplaudir, levantar a bola. Ele tem uma função extremamente importante para a sociedade e, por isso, deveria ser mais respeitado em vez de servir como bode expiatório para pessoas em apuros. É claro que existem bons e maus jornalistas, assim como há políticos honestos e corruptos e jogadores craques e pernas-de-pau. O que precisa ficar cristalino é que essa cada vez mais constante crítica vazia à imprensa já passou do limite e começa a entrar em um cenário perigoso.
A sobrevivência da democracia depende também de uma imprensa independente, justa, imparcial. Não existe nada mais antigo do que jogar a culpa na imprensa quando faltam argumentos de defesa. É da natureza humana adorar quem elogia e odiar quem critica. E, como a imprensa existe muito mais para criticar do que para elogiar, ela é quem termina pagando o pato.
A organização Repórteres Sem Fronteira, sediada em Paris, divulgou recentemente o ranking mundial de liberdade de imprensa. O Brasil ficou na vergonhosa 75ª colocação. Em 168º e último lugar ficou a imprensa da Coréia do Norte, seguida por outras ditaduras como Cuba e Irã. Quanto menos se dá condições para que uma imprensa seja livre, maior é a probabilidade de que uma ditadura ganhe força e tome conta de uma nação.
Pode parecer cedo, mas precisamos ficar de olhos bem abertos para evitar que essas páginas um dia tenham de ser preenchidas por receitas de bolo ou poesias de Camões, o que já aconteceu comigo em um passado não tão distante.
PANFLETAGEM
Uma sugestão aos nobres vereadores. Que tal um projeto que discipline a panfletagem em nossa cidade? Sei que muitos vão usar os mesmos argumentos de sempre: vai tirar emprego. E os entregadores? Ora bolas, não estamos falando de empregos verdadeiros e sim de subempregos ou eu não consegui enxergar o plano de carreira da atividade? O que aprendem esses garotos com esse trabalho? São constantemente hostilizados nos semáforos ao ficar próximos do veículo esperando que o motorista abra a janela e seja inundado com vários exemplares que esperavam ansiosamente para ser atirados dentro de um carro. Hoje mesmo, ao entrar em casa, a porta ficou emperrada com tanto papel atirado sem que eu pedisse. E o pior: de cada folheto tinha à minha disposição dois ou três exemplares. Se não sabem, saibam: os entregadores têm uma cota para entregar e, quanto mais rápido eles entregarem, antes terminam seu ‘trabalho’ e podem ir para casa. E o verdadeiro painel de exposição que tornam os portões de nossas residências? Mais parecem rotas árvores de Natal mal acabadas. Em nome dos bons costumes, precisamos criar sempre limites em função de uma convivência harmoniosa e conjunta.
COISA FEIA
Para andar nas calçadas em Franca é preciso tomar cuidado, do contrário corre-se o risco de chegar em casa e sujar o tapete da sala.Tem pessoas que não se tocam. Soltam cachorros durante o dia nas ruas para fazerem suas necessidades fisiológicas em frente às casas dos vizinhos. E quando estão juntos com os cães, olham para o outro lado, dando a entender que não estão vendo nada.
POSITIVO
Publicamos nesta coluna a existência de um terreno abandonado na confluência das Ruas Voluntários da Franca e Homero Alves, em pleno centro de Franca, onde não existia calçada e o mato tomava conta do local, servindo como criadouro de ratos e baratas. O setor de fiscalização da prefeitura mostrou-se eficiente, tomou as providências necessárias e o problema está solucionado. Ponto positivo.
NEGATIVO
Alguma providência precisa ser tomada com urgência no terminal de ônibus de Franca, principalmente nos horários de pico. O cidadão fica na fila esperando o ônibus de seu bairro encostar-se às baias e, quando o ônibus chega, ninguém respeita e invade o coletivo. Espero que os responsáveis pelo terminal tomem as devidas providências e coloquem fiscais para exigir o respeito às filas. Nos países de Primeiro Mundo todos respeitam as filas, os idosos, as gestantes, os deficientes, mas em Franca as coisas são diferentes.
IDADE
Em certa ocasião alguém perguntou a Galileu Galilei:
- Quantos anos tens?!
- Oito ou dez, respondeu Galileu, em evidente contradição com sua barba branca.
E logo explicou:
- Tenho, na verdade, os anos que me restam de vida, porque os já vividos não os tenho mais, como não temos mais as moedas que já gastamos.
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