Há 18 anos, Iraci espera por poste de iluminação


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A dona de casa Iraci Daniel, 56, espera, há 18 anos, a colocação de um poste de luz perto de sua casa, no Jardim Aeroporto III. Nesse período, procurou os ex-prefeitos Ary Balieiro (PTB) e Gilmar Dominici (PT) e assessores do atual, Sidnei Rocha (PSDB), além de vereadores, sem ter o problema resolvido. Iraci conta que, há alguns anos, animou-se ao ver um poste sendo instalado nas proximidades de sua casa. Mas se decepcionou novamente ao saber que o objetivo não era clarear a rua, mas sim o pasto de uma fazenda vizinha. “Puseram o poste lá para clarear o mato. Os moradores continuam no escuro”, disse. A casa de Iraci fica na esquina das Ruas Joaquim Paula Marques e Renato Lourenço Rosa. A primeira tem iluminação. O problema é a segunda, que não tem postes e é um verdadeiro breu. Com a escuridão, o local é um prato cheio para os marginais. De acordo com ela, a falta de policiamento preventivo complica ainda mais a situação. “Até polícia tem medo de ir perto de casa, porque é tudo escuro. Sempre que preciso sair à noite digo: Jesus, vai na minha frente, porque só o Senhor mesmo para me ajudar”. Seu filho, o vigilante Mário Daniel, 31, chega em casa de madrugada e já passou maus momentos por causa da escuridão. “Não tem como ver se tem gente escondida, porque aqui é um breu só. Já tentaram me assaltar umas quatro vezes e meu pai, que tem 63 anos, já teve que correr de bandido”, afirmou. Outro problema antigo na rua são as grandes quantidades de lixo atiradas a céu aberto. Costuma ter de tudo por lá, de restos de materiais para construção a lixo doméstico e animais mortos. Ninguém fiscaliza a ação dos “sujões”. Iraci afirma que, certa vez, cansada dos dois problemas e da apatia dos políticos, decidiu fazer um protesto, no mínimo, diferenciado. Capturou uma cobra no meio do lixão e levou para a Prefeitura, à época comandada por Ary Balieiro. “Levei a cobra lá para jogar na mesa dele, mas não me deixaram entrar com ela. Tem hora que a gente até perde a paciência”, disse. BUROCRACIA A secretária de Planejamento Urbano, Valéria Marson, disse ontem que é preciso cumprir um rito legal para que dona Iraci possa, enfim, ver sua rua iluminada. “É necessário que ela protocole o pedido na Prefeitura. Apesar de ser tratar de áreas particulares, a Prefeitura é quem paga pela iluminação pública, então, somente ela pode solicitar a instalação do poste para a CPFL”, disse. “Normalmente, esse processo demora entre 30 e 40 dias”. O secretário de Obras, Ismar Rodrigues Tavares, foi procurado para falar a respeito do lixo nas ruas, mas sua secretária disse que ele estava em reunião e que retornaria à ligação, o que não aconteceu.

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