O Fórum de Desenvolvimento Sustentável, promovido pela revista Época, permitiu ao presidente da Petrobrás, José Gabrielli, fazer uma minuciosa explanação sobre a visão estratégica da empresa para os próximos 15 anos.
A missão da Petrobrás será tornar-se uma das cinco maiores empresas de energia do mundo e a mais admirada em todos os segmentos do público - consumidores, corporação interna, acionistas, fornecedores e opinião pública.
O cenário traçado pela empresa é o de que em 2020 praticamente se manterá a mesma matriz energética atual, fundamentalmente ancorada em combustíveis fósseis - petróleo, gás e carvão. A mudança será no aumento da eficiência de uso.
Mudanças mais substantivas ocorrerão no segmento de combustível para transporte. Em 2020 prevê-se que 25% do combustível para transporte será de energia renovável. O Brasil sai na frente. No próximo ano, 44% do consumo será de derivados de petróleo e 56% de álcool, GNV (gás natural veicular) e GLP (gás liquefeito de petróleo), proibido, mas ainda muito utilizado no Nordeste.
A visão de sustentabilidade da Petrobrás passa pelos seguintes pontos:
1. Ser uma empresa em constante crescimento, de forma rentável, incluindo as responsabilidades social e ambiental no mesmo nível da financeira.
2. Manter reservas de exploração, petróleo e gás com um índice de reposição acima de 100%.
3. Aumentar a capacidade de refino, transporte e comercialização, passando de 2 milhões de barris de petróleo dia para 3 milhões até 2012.
No caso do gás há um desafio adicional. Ao contrário de outros países, as usinas térmicas só são acionadas quando há falta de energia hidrelétrica.
Para ganhar flexibilidade, a empresa pretende aumentar a produção de campos não associados a petróleo para até 73 milhões de m³ (aí poderá tirar gás apenas quando precisar). O contrato com a Bolívia é de até 30 milhões de m³/dia de gás, mas com uma margem de flexibilidade de 6 milhões. A Petrobrás precisa pagar até 24 milhões, usando ou não o gás. Os 6 milhões restantes ficam como margem de manobra. O segundo passo será a construção de um terminal de regaseificação para o GLP importado, com capacidade para até 30 milhões de m³/dia.
4. Em relação ao petróleo, a idéia será utilizá-lo cada vez menos para gerar eletricidade e calor, e cada vez mais para produtos petroquímicos. Mundialmente, informa Gabrielli, está havendo integração entre refinaria e petroquímica. Das dez maiores indústrias petroquímicas, 6 ou 7 são controladas por petrolíferas. As duas matérias primas essenciais são gás e nafta. A Central Petroquímica planejada para o Rio de Janeiro, além disso, vai trabalhar em cima de petróleo pesado, área em que a Petrobrás está investindo pesadamente.
5. Finalmente, no caso da biomassa, a Petrobrás atuará de forma diferente nos dois setores. No caso do etanol, investirá no transporte e exportação. No caso do biodiesel investirá na produção, como meio de viabilizar as pequenas propriedades agrícolas, com forte investimento na parte tecnológica.
PREJUÍZO DO BC
O Banco Central amargou prejuízo de R$ 30,304 bilhões no primeiro semestre do ano por conta, principalmente, da valorização de 9,9% do real diante do dólar. O resultado é mais do que o dobro do registrado nos seis primeiros meses de 2006, quando a instituição apresentou saldo negativo de R$ 12,871 bilhões. O BC carrega entre seus ativos as reservas internacionais (que já ultrapassaram US$ 160 bilhões). Com a apreciação do real, o estoque de moeda estrangeira tem seu volume reduzido, gerando impacto negativo na contabilidade do banco. Além disso, as operações especiais de câmbio realizadas pela instituição - os chamados “swaps cambiais” - geraram custo de R$ 4,4 bilhões. A variação cambial e as perdas provocadas pelas operações de “swap” foram responsáveis por um resultado negativo de R$ 29,219 bilhões. Outro R$ 1,085 bilhão de prejuízo foi registrado pelo BC nas operações que excluem a variação cambial e os “swaps”. Os principais motivos para esse resultado foram a remuneração da conta única do Tesouro e as despesas de custeio do próprio Banco Central. O saldo negativo total do BC no semestre será coberto em janeiro de 2008 pelo Tesouro, que entregará ao banco títulos públicos federais. O balanço semestral do BC foi aprovado ontem pelo CMN.
NOVO FMI
O primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, afirmou que os países em desenvolvimento poderão eleger o próximo comandante do FMI (Fundo Monetário Internacional) caso apóiem a candidatura do francês Dominique Strauss-Kahn para suceder o espanhol Rodrigo de Rato. “O próximo diretor certamente não será europeu”, afirmou Juncker, que também é ministro das Finanças de seu país e presidente do grupo de ministros da área econômica dos 13 países que usam a moeda européia. “Na zona do euro e entre os ministros das Finanças da União Européia, todo mundo está ciente de que Strauss-Kahn será provavelmente o último europeu a ser diretor do FMI em um futuro próximo”. Vários países, como o Brasil, criticaram o processo de seleção do sucessor de Rato, que, segundo eles, privilegia a nacionalidade do candidato, e não a sua qualidade. Pela tradição, os países europeus escolhem o comandante do FMI, e os EUA, o do Banco Mundial.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.