“Sapatos são um bom negócio, pois sempre surgem dois pezinhos para usá-los”. A frase que o empresário Hugo Betarello, fundador da Calçados Agabê, adorava dizer nunca foi tão verdadeira. A cada duas horas, nasce um bebê em Franca. O dado é do Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). Segundo o levantamento, em 2006, “chegaram” à cidade 4871 novas crianças, o que a classifica como a 20ª entre os 645 municípios do Estado de São Paulo onde mais nascem bebês. Os números têm por base os registros civis de bebês nascidos vivos e coloca Franca à frente de cidades maiores, como São José do Rio Preto, Jundiaí e Bauru, quando o assunto é ter filhos. As três aparecem em 21ª, 22ª e 24ª colocadas, respectivamente, no ranking de nascimentos.
Erli Marques, enfermeira supervisora da Ala Materno-Infantil da Santa Casa de Franca, considera a média de partos na cidade alta e atribui isso aos serviços prestados na área da saúde. “Franca é referência para a maternidade e se tornou porta de entrada para mães de toda a região. Só na Santa Casa, realizamos entre 300 e 400 partos todos os meses. O hospital tem credibilidade das pessoas. A tendência é mantermos a média de nascimentos, como nos últimos anos”, disse.
Mais nascimentos significam mais habitantes e maior demanda para atendimento na saúde, educação, transporte, promoção social e habitação. Será que Franca está preparada para acolher tantos recém-nascidos?
O vice-prefeito e coordenador do Neplaf (Núcleo de Estudos e Planejamento de Franca), Ary Balieiro, acha que sim. “Estamos montando um projeto de infra-estrutura pensando justamente em dados como o crescimento demográfico, por isso, acredito que estaremos razoavelmente preparados para esta demanda sim”.
Para o economista Luís Carlos dos Santos, o futuro não está tão definido. Ele lança um alerta sobre a vida futura dos nenês.
Para ele, não há vantagens, nem para a cidade nem para a família, a chegada de mais de 4800 crianças num ano e os números são sinônimo de desemprego no futuro. “Não vejo nenhum ponto positivo no aumento da natalidade. A renda per capita da cidade é baixa e o nascimento de mais filhos vai gerar mais desemprego, o poder aquisitivo das famílias ficará menor ainda”.
FAMÍLIA GRANDE
Luciana Peixoto, montadora de peças, e o marido Valter Cruz, 35, ajudam a engrossar as estatísticas de São Paulo e Franca. Aos 34 anos, ela é mãe pela quinta vez. Éster Aline nasceu nesta semana, às 6h45 do dia 28 agosto, na Santa Casa de Franca. Dos cinco filhos do casal, foi a única que chegou ao mundo em Franca, pois a família se mudou da capital para a cidade em busca de emprego faz apenas dois meses.
Luciana e Valter estão juntos há 18 anos. Ela pensava em ter três filhos apenas, já está no quinto, mas promete parar por aqui. Os dois são pais de Éder, 16, Caíque, 13, Luciana, 10, e Ronald, 5. “Não posso ficar grávida de novo, não. A gente dá conta de criar os filhos, mas com muitas dificuldades. Eu farei laqueadura ou meu marido vasectomia. Vamos procurar o planejamento familiar para marcar a operação”, disse ela.
Luciana terá de esperar. Em maio deste ano, 50 mulheres de Franca aguardavam na fila para fazer a cirurgia para evitar filhos sem pagar por ela, pelo SUS.
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