Anny, Valéria, Ana Paula e Heloá têm 11 anos, moram no Jardim Aeroporto e freqüentam a mesma escola. Essas não são as únicas coincidências envolvendo as quatro garotas. Juntas, elas participam do projeto Despertando para o Amanhã, desenvolvido pela Unifran (Universidade de Franca) com o objetivo de ajudar na formação educacional e cultural de crianças carentes.
O projeto completa em 2007 dois anos de existência e atende 50 crianças carentes da região Sul, oferecendo atividades esportivas, reforço escolar, atendimento psicossocial e odontológico. Passeios também são incluídos, como aconteceu ontem, quando alunos conheceram o Espaço de Difusão Científica e o Arquivo Histórico Municipal, no Colégio Champagnat.
Para os atendidos, dia de “Despertando do Amanhã” tem gosto de fim de semana.”É muito bom quando o ônibus chega e a gente vem para a Unifran”, disse Heloá de Oliveira. A menina, que hoje tem 11 anos, começou no projeto aos 9. Antes disso, tinha as tardes livres, sem nada a fazer. “Quando não ia para a rua, ia limpar a casa”. Agora a realidade de Heloá e seus amigos é outra.
Ao meio-dia, duas vezes por semana, um ônibus pega os alunos no ponto estipulado, no Jardim Aeroporto, com destino à Unifran. Já na faculdade, a primeira coisa que fazem é almoçar. A refeição é servida por nutricionistas voluntários. Após o almoço, é hora de escovar os dentes e ir direto para a cadeira do dentista.
Depois, eles têm uma hora destinada ao reforço escolar e, na sequência, é momento de lanchar. O final do dia é reservado para as aulas de informática, educação física e dança. Às 17 horas, voltam para casa.
Heloá, assim como os colegas, aprendeu no projeto a ter disciplina e a lutar pelo que quer. Ela mesma assumiu que não era aluna aplicada na escola. “Tirava nota baixa. Hoje só tiro nota nove”. O projeto também realiza sonhos. Foi assim para Anny Carolliny Silva, 10, que tinha vontade de fazer informática, mas nunca teve oportunidade. “Gostava de ver as pessoas mexendo no computador, mas não sabia como funcionava. Agora eu sei”.
A dança, informática e os momentos de diversão não são únicos apoios do projeto às crianças. Maria Elizabete Taveira, assistente social, disse que, no início, foi preciso trabalhar a agressividade e rebeldia de muitos alunos que vieram de famílias desestruturadas. “Nos deparamos com todo o tipo de situação, desde muito carentes até famílias em que os pais são viciados em álcool. Agora, dois anos depois, a situação das crianças mudou, estão calmas e alegres”.
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