Um imóvel simples, na Rua João Nestor dos Santos, Jardim São Luiz, iluminado apenas com luz de velas, todo revirado, com roupas sujas espalhadas pelo chão e sem água nas torneiras, abrigava cinco crianças com idades entre 3 e 11 anos. Mal vestidas, com fome e sem tomar banho, as crianças estavam sozinhas na residência na noite do último sábado. Três delas tiveram que ser atendidas no Pronto-Socorro Infantil. Uma estava com o nariz sangrando; outra com ferimentos dizendo que havia sido mordida pelo cão da família. A menorzinha, com 3 anos de idade, estava com suspeita de conjuntivite.
Este foi o cenário encontrado por conselheiros tutelares que foram acionados por uma denúncia anônima e chegaram à casa por volta das 23h30 do último sábado. Onde estavam os pais das crianças? Quem denunciou o caso ao Conselho Tutelar disse que eles saíram para passear, mas o casal garante que estava trabalhando como segurança noturno. “A casa estava muito suja, sem água e algumas velas estavam espalhadas perto da cama.
Realmente as crianças estavam sozinhas. Era uma escadinha de meninos e meninas com 3, 6, 9, 10 e 11 anos. A primeira informação é que seus pais tinham saído para uma ‘noitada’”, disse a conselheira tutelar Regina Cravo.
A delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio está investigando a ocorrência, que foi apresentada no Plantão de Polícia. “Não dá para imaginar cinco crianças sozinhas dentro de uma casa. E pior, com velas acesas perto da cama. Estas crianças estavam correndo risco de morte. Vou investigar e chamar os pais”, disse a delegada. Caso sejam comprovados os maus-tratos, os pais podem perder o pátrio poder dos menores.
O Conselho levou as crianças para tratamento médico e as deixou com uma família de apoio desde então (leia mais acima).
CASAL SE DEFENDE
Os pais negam que tenham deixado os filhos abandonados. Segundo eles, uma vizinha teria ficado cuidando das crianças e eles não sabem por que ela não se manifestou ao ver o Conselho e a polícia na noite de sábado retirando seus filhos. “Minha vizinha talvez ficou com medo, vendo a polícia na minha casa. Eu e meu marido não temos vício. Saímos naquela noite para trabalhar”, disse PLD, 34, mãe das crianças.
O casal trabalha como segurança e está morando em Franca há dois anos - os acusados são casados há 17 anos, antes moravam no Bairro do Grajaú, na Grande São Paulo. Eles admitiram que o fornecimento de água e energia elétrica na casa realmente está cortado. “Estávamos trabalhando em festas no sábado justamente para ganhar dinheiro e mudar da casa. Não havia velas acesas na cama, minha filha não tem conjuntivite e o nariz do meu outro filho sangrou porque ele tem uma veia que às vezes apresenta este problema”, se defendeu a mãe.
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