Poluição faz céu de Franca ficar cinza


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Quem observou a cidade do alto ontem conseguiu ver nitidamente a névoa seca que há dias paira sobre Franca. Fenômeno não tem data para acabar
Quem observou a cidade do alto ontem conseguiu ver nitidamente a névoa seca que há dias paira sobre Franca. Fenômeno não tem data para acabar
Quem observou o céu de Franca nos últimos dias notou uma espécie de neblina cinza cobrindo toda a cidade. O fenômeno, conhecido cientificamente como névoa seca, deixou o clima quente e abafado durante o dia e frio à noite e deve continuar assim até que a umidade relativa do ar aumente. Na tarde de ontem, de acordo com a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), a umidade do ar estava estava em 31%, na segunda-feira, foi menor, 28%. O ideal é que se aproxime dos 60% ou mais. A névoa seca, segundo meteorologistas, é formada por poluentes provenientes de poeira e fumaças de indústrias, carros e queimadas, que não se dispersam no ar. Isso ocorre porque a região de Franca sofreu uma inversão térmica em meados de agosto. Normalmente, o ar que fica perto da superfície da terra esquenta com o calor dos raios solares e sobe para a atmosfera, deslocando o ar frio que se encontra por lá para baixo, num constante movimento de sobe e desce. O problema é que, há alguns dias, uma frente fria, cujo ar é mais denso e pesado, estacionou sobre a região, impedindo a passagem deste ar quente com os poluentes para a atmosfera. Assim não há troca de ar na atmosfera, ou seja, o ar quente, que por ser mais leve deveria subir para altas altitudes, está parado próximo à superfície terrestre. Como é ele quem leva as partículas de poluentes, elas acabam se acomodando. O ar frio forma uma espécie de barreira. “Se a pessoa estiver em uma região alta, poderá ver nitidamente essa névoa parada”, disse Franco Vilela, meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). A inversão térmica afeta diretamente a saúde das pessoas, principalmente das crianças, porque deixa o ar mais poluído aumentando a incidência de doenças respiratórias, cansaço e outros problemas de saúde. Quem sofre com esta situação são, principalmente, os moradores de bairros sem asfalto, que além de conviver com o calor, têm de enfrentar a poeira, que causa problemas respiratórios e sujeira. O comerciante Roberto Elias dos Santos sabe bem o que isso significa. Morador no Jardim Cambuí há oito anos e com um minimercado instalado justamente na rua onde circula o ônibus coletivo, ele não agüenta mais ver tanto pó. “De manhã, dá pena de ver os alunos irem para a escola. São muitos carros e ônibus circulando e poeira para todos os cantos. Mal se enxerga carros e pedestres. À tarde, a situação se repete”. No mercado de Elias, o piso que era cinza, ficou marrom e as gôndolas de produtos têm de ser limpas várias vezes ao dia. O que poderia ajudar, segundo Roberto, seria os caminhões-pipas, mas eles quase nunca aparecem. Problema idêntico têm vivido os moradores do Jardim Esmeralda. O bairro, que tem mais de nove anos, sequer está na lista dos próximos a receberem o asfalto por falta de adesão dos moradores. Para a dona de casa Silvia Mendes, que mora no Esmeralda há seis anos, a poeira não é mais novidade, mas não deixa de incomodar. “Quando não é barro é o pó. Já não temos mais como reclamar. Enquanto isso é um corre-corre no pronto-socorro para levar meu filho por causa de problemas alérgicos e da bronquite que piora”. O meteorologista Franco Vilela disse que a situação só deve melhorar com a chegada de uma nova frente fria, o que deve acontecer até o fim da semana. “Essa frente que se aproxima aumentará a umidade do ar diminuindo os efeitos da inversão”.

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