A proibição de freqüentar casas de prostituição, bares e boates, bem como de se ausentar da cidade por mais de 15 dias, é o resultado de apenas um dos processos pelos quais o ex-prefeito de Patrocínio Paulista, Henrique Lopes, responde. Duas vezes governante da vizinha cidade (1993-1996 e 2001-2004), ele é alvo de, no mínimo, outros três processos, ainda em andamento. Em um dos casos, chegou até a ser condenado a três anos de prisão por fraudar uma licitação, mas teve a pena substituída por pagamento de cinco salários mínimos a entidades assistenciais.
Henrique Lopes é um político polêmico. Seu perfil divide a pequena Patrocínio Paulista, onde tem, de um lado, admiradores fiéis; de outro, ferrenhos opositores. Em sua última gestão como prefeito, provocou um debate que envolveu toda a cidade quando fechou o trânsito de veículos na praça central aos fins de semana. Lopes não queria que os carros atrapalhassem o lazer das pessoas que aproveitavam o domingo para ir à missa ou conversar com os amigos no Centro da cidade. Após muita pressão popular, ele voltou atrás e liberou o tráfego.
Também na sua trajetória, ficará marcada a condenação que recebeu, em 29 de junho deste ano, a três anos de prisão. Na ocasião, o MP processou Lopes por ter gastado R$ 11 mil da prefeitura de Patrocínio para comprar materiais de construção sem realizar licitação. Condenado em primeira instância, recorreu da decisão e o processo está no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que reavalia a sentença dada pelo juiz Fernando da Fonseca Gajardoni.
Bem parecido no que houve no caso dos prostíbulos, quando Lopes trocou a manutenção de um processo pela pena alternativa, ele preferiu doar cinco salários mínimos a entidades assistenciais do que ir para atrás das grades.
E TEM MAIS...
Outras acusações foram feitas contra o ex-prefeito, mas em todas elas ele foi absolvido. Uma delas foi a de não aplicar, em 2003, os recursos mínimos exigidos por lei, 15% do orçamento, nas áreas de Saúde. O MP acusava o prefeito de gastar apenas 12,85%.
Os gastos com educação também teriam ficado abaixo do que determina a lei, que é de 25%. Foram gastos 18,83% com ensino fundamental.
O ex-prefeito também é acusado de extrapolar nas despesas com a folha de pagamento ao gastar 54,17% das verbas municipais, sendo que o limite é de 51,30%. Em 2004, as mesmas ações foram rejeitadas pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), mas Lopes foi absolvido. Nos outros casos, resta a ele aguardar uma decisão da Justiça.
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