O avô do CD


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Ele é grande, tem mais de 50 anos de idade, é difícil de encontrar, desajeitado para carregar, tem que dar “banho” para tirar a poeira e tem muitos detalhes como: trocar a agulha, mudar a música com a mão e quando termina de tocar a metade do disco tem que virar o lado do vinil manualmente. Alguém se habilita a todo este trabalho para ouvir um som? Sim, ainda hoje existem pessoas que dispensam a praticidade do CD - que também já está virando peça de museu - e do mp3, que não dá trabalho nenhum, ao invés de ter um “bolachão” para cada banda. Para quem ainda coleciona e compra disco o argumento é um só. Eles abrem mão de toda a tecnologia e dizem que o som é melhor, já que as ondas na gravação dos discos não são compactadas como nas músicas digitalizadas. Eles são exigentes, mas não estão errados. O som do disco de vinil é analógico e quando gravado capta todos os sons que a banda produz. No CD ele é “limpo”, o agudo e o grave ficam mais intensos. Mas isso é tema para os físicos. Paulo Veloso, 51, proprietário do sebo de LP (long play ou vinil mesmo), é apaixonado pelo som de seus discos. Com uma coleção pessoal que ultrapassa os oito mil, contando os compactos (vinil pequeno). Veloso começou sua coleção aos 10 anos em 1966, quando comprou o álbum The House of Rising Sun da banda britânica The Animals. “Meu pai me deu dinheiro para comprar doce como toda criança, mas levei o disco”. Hoje o comerciante diz ter todos os discos que gosta de ouvir. Os que ele mais escuta são os LPs do The Hollies, Denis Roussos e o famoso Beeges que tem a coleção completa junto com a dos Beatles. O mais curioso é que Veloso não ouve os vinis de que mais gosta com medo de estragar. “Tenho mais de 3 mil CDs das bandas que mais gosto para ouvir quando eu quero. Meus discos só ouço quando dá muita vontade”. Com muito ciúme, Veloso não vende sua coleção.Também não empresta nada para ninguém. Quando quer algum vinil, compra para que não tenha que emprestar. “Jurei que não empresto nada. Uma vez emprestei o LP da Casa das Máquinas para um vizinho e ele riscou duas músicas”, confessa indignado. Na capa dos LPs, outra paixão de quem gosta de vinil, é possível ter uma aula de história. Em cada desenho é possível ver os reflexos da época, o movimento cultural da Tropicália, a influência da cultura estrangeira na década de 70 com os discos imitando a capa do álbum Str Peppers dos Beatles. Até o ex-cantor e apresentador da TV Gazeta, Ronnie Von, copiou. Com essa variedade, o proprietário tem clientes de todas as idades e conta que os mais velhos compram sertanejo de raiz e os jovens rock, que custam de R$ 0,50 a R$ 20 na loja. Entre seus cliente mais novos estão os DJs, que usam os discos para fazer sons diferentes, e pessoas que gostam da música de década de 70. Novo ou velho, os adoradores de vinil são quase todos iguais. Têm um cuidado exagerado com os discos, não emprestam para ninguém, não deixam ninguém tocar e com bom humor reclamam da música de hoje.

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