Licitação errada expõe racha entre secretários


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O primeiro escalão do governo Sidnei Rocha (PSDB) está rachado. Dois de seus homens-fortes, os secretários de Finanças, Sebastião Ananias, e de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto, estão em rota de colisão. A razão para a briga foi a ausência de propostas de bancos na licitação da venda das contas-salário dos servidores públicos. Com proposta de vender as contas dos servidores por R$ 10 milhões, a abertura dos envelopes ocorreu no dia 15. Surgiram representantes de alguns grandes bancos, como Santander, Real e Itaú, mas ninguém fez ofertas. Na ocasião, a informação de bastidor era que o processo “continha erros”. A Secretaria de Jerônimo informou que a folha da Prefeitura tem 3570 servidores, sendo que, na realidade, considerando-se os 147 afastados pelo INSS, são 3717. O edital da licitação foi elaborado por Jerônimo. Ananias associou publicamente a falta de propostas a uma falha do “colega” e, irritado, chamou a responsabilidade para si: sem consultar o “colega”, refez as contas e disse, novamente via imprensa, que o erro de Jerônimo foi a causa do fracasso da licitação. A partir daí, entrevistas para as rádios Difusora AM e Hertz esquentaram o clima. Para Ananias, a “confusão” dos subordinados de Jerônimo foi decisiva para o recuo dos bancos. “Ocorreu uma infelicidade nos números informados e no valor da folha. Não tinha compatibilidade. Os dados foram refeitos pela Secretaria de Finanças e apontam os verdadeiros números”, disse. Jerônimo tem outra versão. Para ele, os bancos não desistiriam de movimentar uma folha mensal de R$ 6,6 milhões por essa razão. “Acho ingenuidade pensar que os bancos desistiriam de uma licitação de R$ 10 milhões por causa de uma diferença tão pequena”. Embora os dois digam que a relação “continua a mesma”, as rusgas entre os dois, já freqüentes, aumentaram ainda mais. “Secretários não devem ter relacionamento de amizade. Deve ser estritamente profissional e de governo. Não tenho a preocupação de ser agradável”, disse Ananias. Já Jerônimo é mais direto: “Amigos nós não somos”. PREFEITO ‘MAESTRO’ Sidnei Rocha (PSDB) considera “saudável” a discussão. Para ele, episódios como esse não prejudicam o governo. “Eu até incentivo que meus secretários tenham opiniões próprias. Quero que haja muita discussão mesmo. Acho saudável que haja divergências entre eles, mas não vai haver racha, como vocês dizem”. O tucano disse que só intervirá na briga se ela atrapalhar o andamento de sua administração. “Quem comanda é o prefeito. O prefeito é o maestro e todos devem tocar a música no mesmo ritmo. Os músicos podem até discordar da pauta musical, mas vão tocar no mesmo ritmo”, disse.

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