Drama atrás das grades


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A cela X-3 da Cadeia Pública do Jardim Guanabara esconde o drama de um preso com sérios problemas de saúde. Num espaço de pouco mais de 3 metros quadrados, Gilson Antunes Cintra, 60, recolhido por tráfico de drogas, vive em condições incompatíveis com seu quadro clínico. Em função de um derrame cerebral, Cintra não anda, não fala, usa fraldas geriátricas e está, permanentemente, sob os cuidados de outros presos. Do lado de fora das muralhas, familiares do detento vivem outro drama: eles lutam por sua transferência para, pelo menos, um hospital penitenciário. Gilson Antunes Cintra ostenta inúmeras passagens pela polícia. Viciado em maconha, sua família alega que ele nunca vendeu drogas, mas mesmo assim coleciona cinco condenações, quatro delas por tráfico. Sua maior permanência na cadeia foram 3 anos. A primeira estadia em um presídio foi em 1980, quando tinha 32 anos de idade, acusado de lesão corporal. No dia 15 de fevereiro deste ano, Gilson foi novamente preso acusado de tráfico de drogas. Soldados da Polícia Militar viram um homem saindo da casa de Cintra com uma porção de maconha. O viciado confessou ter comprado a droga no local. À disposição da Justiça desde então, no dia 29 de julho, Cintra começa a viver dentro da cadeia aquilo que seria sua maior condenação: sofreu um derrame cerebral e ficou com o lado direito do corpo paralisado. “Ele tem dificuldades para falar. Só usa fraldas geriátricas e outros presos cuidam dele na cela X-3, que é usada para presos doentes”, disse o delegado Eduardo Lopes Bomfim, diretor da cadeia. No presídio, um enfermeiro e um médico acompanham semanalmente seu estado. Após a constatação de seu quadro clínico, o preso chegou a ficar internado na Santa Casa por dois dias, recebendo alta hospitalar no dia 7 de agosto. “O médico que cuida dele na cadeia, o Dr. Marco Aurélio Piacesi, já enviou ofício ao juiz de seu processo pedindo sua transferência para um local onde há condições de tratamento, mas o pedido foi indeferido. Na cadeia do Guanabara não tem condições”, disse Bomfim. A cela que abriga o detento não tem quase nada de diferente das outras da cadeia. São seis camas de cimento e, de especial, algumas pequenas melhorias para abrigar presos doentes, como vaso sanitário de cerâmica e duas cadeiras de rodas. A cela não dispõe de cadeira para banho. “Meu irmão só está vivo até hoje graças aos presos que o ajudam, o enfermeiro e o médico dele. Para comer, tomar banho e trocar as fraldas, são os presos que ajudam”, disse Wilson Antônio Cintra, irmão do detento. Diante da situação, a família do detento vem travando uma verdadeira batalha para conseguir sua transferência para um lugar onde possa ser medicado. “Antes, nós esbarrávamos na lei que impede a transferência de uma pessoa não condenada para uma penitenciária que tenha hospital. Agora, não há mais esse empecilho e estamos com laudo do médico informando a condição de saúde lamentável do meu irmão. Se ele ficar lá, vai morrer”, disse Wilson. Na última sexta-feira, a justiça determinou a pena de Gilson Antunes Cintra: oito anos de reclusão em regime fechado. “O futuro do meu irmão está nas mãos do juiz José Rodrigues de Arimatéa. Só o juiz pode tirar meu irmão daquelas condições desumanas”, disse, chorando, Wilson Cintra. Na tarde de ontem, a reportagem do Comércio tentou por diversas vezes falar com o juiz corregedor da Cadeia Pública de Franca, José Rodrigues de Arimatéa, mas ele estava realizando audiências e não pôde atender. Também não respondeu às ligações.

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