Luiza Conceição Oliveira, 52, e o marido, moradores no Jardim Petraglia, ficaram o mês de julho sem consumir abobrinha refogada. A dona de casa, que faz as compras da semana aos sábados, não comprou o legume porque “estava caro demais”. Na última sexta-feira, a geladeira do casal voltou a armazenar o alimento. Como o preço estava bom, Luiza levou para casa e já cozinhou para ela e o companheiro. Atenta à diferença de preços, ela também comprou couve-flor e tomate. “Estava mais barato”.
Luiza tem razão. Além da abobrinha, couve-flor e tomate, os valores de outros legumes, verduras e frutas despencaram até 53% nos últimos meses. O motivo: as altas temperaturas.
Pois é, o calor, que costuma causar mal-estar e incomodar, pode ajudar o bolso dos consumidores. Alguns hortifrutis ficam mais caros no inverno porque o frio retarda o crescimento deles. Com dias mais quentes, a produção aumenta e com maior oferta, os preços caem. “O frio afeta o desenvolvimento da abobrinha, pimentão, jiló e quiabo. Como o clima está ficando mais quente, esses produtos vão se desenvolver mais rápido, o que favorece os preços”, disse Giovanni Dominici, gerente operacional do Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns) de Franca. Segundo ele, já ocorreram alterações. “A caixa de abobrinha vendida aos varejões e supermercados chegou a custar R$ 50 no fim de julho e hoje é repassada aos revendedores por R$ 25”.
O produtor Luís Tótoli, 64, dono de uma horta na Vila Tótoli, também diminuiu os valores das hortaliças que repassa para três mercados de Franca. “Vendia alface, chicória e rúcula a R$ 1,50, mas baixei para R$ 1. Com o inverno sem muitos dias frios, não perdi nenhum produto e consegui baratear as mercadorias”.
A queda chegou aos consumidores. O Comércio consultou alguns varejões da cidade e comprovou morango, laranja, abobrinha, tomate, couve-flor e cenoura mais baratos. A maior queda, de 53,7%, foi do morango. A bandeja com cerca de 350 gramas era vendida em média por R$ 2,72 e hoje está a R$ 1,26. O quilo da abobrinha custava R$ 3,52 em média e caiu para R$ 1,72.
Outro fator que favorece a queda nos preços é o período de colheita de alimentos como cenoura, tomate e morango. “É época de safra. A caixa de tomate comercializada na Ceasa (Central de Abastecimento S/A) chegou a ser vendida a R$ 70 e agora sai a R$ 25”. Nos varejões, a cenoura era comercializada por cerca de R$ 2,75 em média o quilo e agora sai a R$ 1,35, 51% menos. E as donas de casa podem se preparar para encher as sacolas. A tendência é encontrar verduras e legumes ainda mais baratos. “Os preços vão baixar ainda mais. Com o fim do inverno em setembro, o clima vai esquentar mais ainda e a abobrinha, pepino, pimentão, jiló e quiabo produzirão mais e ficarão mais em conta para o consumidor final”, disse Giovanni. “Muitas vezes, o cliente não percebe a redução dos preços porque é um ou outro que fica mais barato. Mas como agora serão vários produtos com custos menores, as pessoas vão perceber a baixa”. Marcos da Silva, gerente do Varejão Irmãos Bonatti, concorda. “A queda começou em julho e deve cair mais”. É aguardar para conferir.
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