Batuque preserva tradição africana


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“A cultura tradicional tem que dialogar com o mundo contemporâneo, se engessar vira peça de museu”. Assim Antonio Filogenio de Paula Júnior, membro do Batuque de Umbigada de Piracicaba iniciou a oficina que ministrou no sábado no Centro Cultural Cangoma, sobre a dança de origem africana que se desenvolveu no Brasil durante a escravidão. Júnior ressaltou a importância de se manter o tradicional, com elementos modernos e adaptar a cultura. “Um adolescente de 14 anos não vai fazer um batuque falando de carro de boi. Do mesmo jeito que, a partir do momento que ligamos um microfone não estamos fazendo o batuque tradicional. Mas se engessarmos as tradições elas viram objeto de pesquisa de estudiosos”. Prova da renovação - sem perder o contexto do ritual do Batuque - é o grupo que veio para Franca, com membros de 15 a 73 anos. A mais nova, Xeina Malu de Barros, é filha de outro integrante, Vanderlei Gilberto de Barros. Ela já domina os instrumentos usados no Batuque - matraca, tambu e quinjenho. “Comecei a freqüentar o Batuque faz pouco tempo. Gosto muito e acho importante preservar esse costume”. Júnior também explicou que não há ligação direta do Batuque com religião. “Gente de todas as religões freqüentam os batuques. Mas não há uma separação, na cultura afro-brasileira, do corpo, mente e espírito. Portanto a espiritualidade está presente, sem ligação com uma religião específica”. O Batuque de Umbigada já foi praticado em várias cidades do Estado de São Paulo, mas hoje é preservado apenas na região de Piracicaba, Tiête e Capivari. O grupo de Batuque de Umbigada, formado pela união dessas três cidades, está em atividade desde 1957. A dança tem mais de 400 anos e é símbolo da resistência cultural e social de uma população condenada pela escravidão. Da mesma linhagem cultural do Batuque de Umbigada (etnia Bantu), também existe o Tambor de Crioula (Maranhão), Jongo (Rio de Janeiro e São Paulo), Bellé (Martinica) e o Tambor de Yuca (Cuba). O grupo Batuque de Umbigada de Piracicaba encerrou a visita a Franca na Praça Nossa Senhora da Conceição. Eles se apresentaram no último dia da 6ª Feira do Escritor Francano e reuniu um grande número de curiosos que pararam para dançar com o grupo. (JG)

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