Alfredo Palermo
Especial para o Comércio
Uma reportagem da jornalista Nelise Luques, publicada no Comércio do dia 19 último, trouxe-nos uma advertência que poderia ter a epígrafe desta nota. Mas a manchete preocupante tinha um conteúdo muito mais grave e significativo: “Tempos modernos: divórcios em Franca crescem 79% em três anos”. Num gráfico à parte, a indicação explicativa de que, “Até julho de 2007, 668 ações de separação foram propostas na Comarca”.
Os dados comentados pela jornalista emanaram dos registros do IBGE, de sorte que a análise desta vertiginosa avalanche mostra a crise atual de uma instituição social - o casamento, base da família e esteio da sociedade, sob todos os ângulos: sentimental, econômico, jurídico e até político, consideradas várias facetas dessa dissolução. Nelise, num recorte de artigo, registra duas causas dessa modernidade: “Desemprego e impaciência, os vilões do casamento”. Na verdade, os casais que se apressaram em casar, sem se preocupar com a responsabilidade econômica da vida em comum, sofrem com a falta de recursos para seu novo ritmo de vida. Essa seria uma das causas dos dessentimentos do par, a quebra de perspectivas do conforto sonhado, decepção, humilhação. A articulista ouviu comentários de Pedro Faria, diretor do 3º Ofício da Família, que se afez à volatilidade do casamento. “À medida que a cidade caminha bem, a indústria está bem, todos são empregados, os serviços aqui no Fórum se reduzem. Se isso se inverte, não damos conta de todos os casos”.
Na verdade, além dos casamentos, forma-se o casal através da “convivência”, que a lei protege, mas esta não conta na crise que se abate sobre o par. As coisas se complicam quando há filhos para cuidar. E aí surge responsabilidade da “pensão”, cujo desprezo acarreta a prisão do faltoso. A evolução dos costumes facilita as alianças de pessoas apressadas ou imaturas: e, daí, o cartório, que as juntou, também as separa com a mesma facilidade. Gilberto Freire, em Casa Grande e Senzala, escreveu que o catolicismo foi realmente o cimento de nossa unidade” (Cap. 4). E ainda luta para a defesa do casamento, embora o avanço da sexualidade, o espírito de emulação e a ausência de ética cristã sejam forças de acomodação e de liberdade.
Infelizmente, a crise do casamento se reflete na crise moral e cultural dos filhos. No entanto, graças a sua função moral e espiritual, a escola democrática procura promover, nas novas gerações, a noção da grandeza da família e do casamento cristão.
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